UE aprova resgate do banco mais antigo do mundo

BRUXELAS, 04 JUL (ANSA) - A Comissão Europeia aprovou nesta terça-feira (4) uma intervenção do Estado da Itália no banco Monte dei Paschi di Siena (MPS), tido como a instituição financeira mais antiga ainda em atividade no mundo.   

De acordo com o plano de resgate, o governo italiano injetará 5,4 bilhões de euros para salvar o MPS da falência e de uma crise que já se arrasta há vários anos. Desse total, 3,9 bilhões serão aplicados em um aumento de capital, o que dará ao Tesouro uma fatia de 70% do banco.   

O 1,5 bilhão restante será desembolsado até o fim do ano, na compra das obrigações subordinadas que serão usadas neste momento para cobrir o rombo no Monte dei Paschi. Como condição, a Comissão Europeia exigiu que o Estado se desfaça de suas ações na instituição financeira até 2021, respeitando as condições de mercado.   

Além disso, parte do buraco de mais de 8 bilhões de euros no banco - 4,3 bilhões - será coberta com recursos dos acionistas e detentores de obrigações subordinadas, ativos de alto risco que, em caso de insolvência, só são pagos depois de todos os outros créditos devidos pela instituição.   

No caso do MPS, os donos de obrigações subordinadas - papéis que, na Itália, apesar de sua complexidade, foram vendidos a milhares de aposentados e poupadores comuns - devem ser ressarcidos pelo 1,5 bilhão de euros separado pelo governo até o fim de 2017.   

A lista de exigências da UE também inclui a reestruturação do Monte dei Paschi em um prazo de cinco anos e a imposição de um teto salarial para dirigentes equivalente a 10 vezes o salário médio dos funcionários. Além disso, uma carteira de 26,1 bilhões em créditos deteriorados será vendida "em condições de mercado".   

O plano de resgate não prevê demissões enquanto o MPS estiver sob poder do governo, além das 2,6 mil já aprovadas em 2016. O objetivo do corte era passar um sinal de confiança aos investidores para realizar um aumento de capital no fim do ano, plano que acabou fracassando.   

"O resgate do MPS é um elemento extremamente importante para o banco e o sistema bancário italiano", comemorou o ministro das Finanças da Itália, Pier Carlo Padoan. No fim de junho, o Banco Central Europeu (BCE) já havia dado aval para o processo de socorro estatal de outras duas instituições italianas, a Veneto Banca e a Banca Popolare di Vicenza.   

"Estou confiante que o dinheiro público não será apenas recuperado, mas também dará um prêmio", acrescentou Padoan. O Monte dei Paschi tem 25,5 mil funcionários, 1,8 mil filiais, patrimônio líquido de 6 bilhões de euros e 46 bilhões em créditos deteriorados.   

Entenda - Fundado em 1472, na cidade toscana de Siena, o Monte dei Paschi vive há anos uma grave crise financeira que o deixou à beira da insolvência. A principal razão para isso é a elevada presença de créditos deteriorados - empréstimos que dificilmente serão pagos - em sua carteira.   

Outros bancos italianos vivem situação semelhante, mas o MPS é o mais exposto de todos, com um terço de seu portfólio tomado por ativos tóxicos. Há muitos motivos para o aumento do nível de créditos deteriorados na instituição, e uma delas é a crise econômica que atinge a Itália desde 2008.   

Com a piora do cenário financeiro e o crescimento do desemprego, muitas pessoas e empresas não conseguiram mais pagar as prestações dos empréstimos tomados, aumentando a inadimplência.   

No entanto essa situação também se explica pela negligência de dirigentes bancários que sempre usaram a amizade para fazer negócios, emprestando a companhias e políticos próximos quantias vultosas que dificilmente seriam restituídas. (ANSA)
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