Madri assume poder na Catalunha, mas líderes ignoram ordens

MADRI E BARCELONA, 28 OUT (ANSA) - A região da Catalunha amanheceu neste sábado (28) sob o comando político do governo espanhol após a destituição do então presidente, Carles Puigdemont, e de seu vice, Oriol Junqueras.   

O premier espanhol, Mariano Rajoy, designou os poderes e as funções administrativas para sua vice, Soraya Saenz, segundo informou um boletim do Estado espanhol publicado no Diário Oficial.   

"O Conselho dos Ministros assume as funções e as competências que correspondem ao Conselho de Governo da Generalitat da Catalunha", informa o Diário Oficial, destacando que os ministros de Madri irão também cumprir seus cargos na região.   

Nesta sexta-feira (27), Rajoy anunciou a intervenção na Catalunha através da inédita ativação do artigo 155, que suspende a autonomia da região e deve convocar novas eleições nos próximos meses.   

A decisão do Senado ocorreu no mesmo dia em que o Parlamento da Catalunha decretou sua independência da Espanha, em decisões que marcaram o ápice da crise política entre os líderes dos dois lados.   

No entanto, apesar da destituição, os representantes catalães ignoraram as medidas e mantiveram sua agenda para este sábado, que inclui uma reunião para preparar as "eleições constituintes" da nova "República catalã".   

Um dos ministros catalães, Josep Rull, se manifestou publicamente sobre a decisão do governo espanhol e disse que o Parlamento e seus líderes continuarão "andando adiante".   

- Polícia: Além de destituir as lideranças e o Parlamento catalão, o decreto no Diário Oficial anunciou a destituição do comandante do Mossos d'Esquadra, a polícia local. Josep Lluis Trapero foi removido por ordem do Ministério do Interior por conta de não ter seguido as ordens do governo de Madri e impedido as manifestações em Barcelona em 20 e 21 de setembro.   

Em nenhum momento os Mossos se colocaram contra a população, ignorando as ordens do governo espanhol e mantendo a segurança dos catalães - inclusive no dia do referendo separatista que foi considerado "ilegal" pela Espanha.   

De acordo com a mídia da capital da região, cerca de 150 funcionários do então governo catalão foram destituídos de seus cargos nas últimas 24 horas. (ANSA)
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