Na Missa do Galo, papa Francisco compara Maria e José a refugiados

Na Cidade do Vaticano

  • Alessandra Tarantino/AP

O papa Francisco celebrou na noite deste domingo (24), véspera de Natal, a tradicional Missa do Galo, durante a qual voltou a lembrar a mais grave crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial e pediu abertura a todos aqueles que "chegam em nossas cidades".   

Em sua homilia, o líder da Igreja Católica fez um apelo em defesa daqueles que são "expulsos de suas terras" e relacionou a jornada de Maria e José e sua fuga com o recém-nascido Jesus para o Egito com o drama de milhões de refugiados no mundo todo.   

"Em muitos casos, essa partida é carregada de esperança e futuro. Em muitos outros, essa partida tem apenas um nome: sobrevivência", disse Jorge Bergoglio, que celebrou sua quinta Missa do Galo como Pontífice.   

Segundo Francisco, a fé empurra o ser humano a "dar espaço a uma nova imaginação social que não tenha medo de experimentar outras formas de relação, nas quais ninguém deva sentir que nesta terra não há um lugar para ele".   

"O Natal é a época de transformar a força do medo na força da caridade, a caridade que não se habitua às injustiças como se elas fossem normais", acrescentou o Papa, citando as palavras de São João Paulo II: "Não tenham medo, abram, aliás, escancarem as portas para Deus".   

"[Que Deus] nos acorde de nossa indiferença, abra nossos olhos para aqueles que sofrem. Que sua ternura acorde nossa sensibilidade e faça nos sentirmos reconhecidos em todos aqueles que chegam em nossas cidades, nossas histórias e nossas vidas", disse.   

Segundo relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), o número de deslocados no mundo bateu recorde em 2016 e chegou à marca de 65,6 milhões de pessoas. A cifra engloba indivíduos que tiveram de deixar suas casas devido a guerras, conflitos armados, fome, pobreza e perseguições.   

Desde que a crise de refugiados explodiu, o Papa vem cobrando ações da comunidade internacional para ajudar os deslocados.   

Além disso, Francisco pede que os países mantenham suas portas abertas para migrantes forçados - a Itália, onde fica o Vaticano, já resgatou cerca de 120 mil pessoas no Mediterrâneo em 2017.   

A Missa do Galo começou às 21h30 (horário local) e foi acompanhada por milhares de fiéis e centenas de cardeais, bispos e padres. Além disso, católicos escolhidos pelo Vaticano leram orações em chinês, árabe, português, romeno e bengali.   

Às 9h (horário de Brasília) desta segunda-feira (25), Francisco preside, na praça São Pedro, a bênção "Urbi et Orbi" ("À cidade de Roma e ao mundo"), na qual aborda os principais temas da atualidade. (ANSA)

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