'Tenho a tranquilidade dos inocentes', diz Lula

SÃO PAULO, 23 JAN (ANSA) - As eleições presidenciais de 2018 no Brasil começam nesta quarta-feira (24), com o julgamento em segunda instância de Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pelo juiz Sérgio Moro a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no "caso tríplex".   


Se a sentença condenatória for mantida pelos desembargadores do Tribunal Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, o ex-presidente deverá ficar impossibilitado de concorrer a um terceiro mandato no Planalto por causa da Lei da Ficha Limpa.   


Líder nas pesquisas, Lula tenta imprimir um caráter político ao julgamento, como ficou evidente no protesto-comício realizado nesta terça, na Esquina Democrática, na capital gaúcha. Para um público de algumas dezenas de milhares de pessoas, expoentes do PT e da esquerda subiram no palanque para denunciar a suposta tentativa de impedir a candidatura do ex-presidente.   


"Só existe um plano, e esse plano é Lula candidato, hoje e amanhã. Nosso caminho até [as eleições de] 2018 tem esse nome: Luiz Inácio Lula da Silva", afirmou a ex-mandatária Dilma Rousseff. "A verdadeira decisão não será amanhã, mas será em 7 de outubro, quando elegeremos Lula como presidente do Brasil", bradou o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.   


Já o ex-mandatário adotou um tom de campanha. Mencionou - e cobrou - brevemente os desembargadores do TRF-4, pedindo que eles se atenham aos autos do processo, e não às convicções políticas de cada um, mas logo trocou o papel de réu pelo de candidato.   


"Eu vim aqui para falar do Brasil, da soberania nacional, da integração latino-americana. Eu vim aqui falar de esperança, de sonhos. Vim falar da soberania nacional. Das pessoas que querem ter um emprego e viver com dignidade", afirmou Lula no início de seu discurso.   


O ex-presidente se disse vítima de uma "elite perversa" e declarou que sente a "tranquilidade dos inocentes". "Eles têm medo que eu volte? Eles têm medo pelas coisas boas que fizemos.   


Por uma empregada doméstica ver sua filha estudando medicina", salientou Lula, prometendo que só uma coisa vai tirá-lo das ruas: "O dia em que eu morrer". "Qualquer que seja o resultado do julgamento, seguirei na luta pela dignidade do povo desse país", acrescentou.   


Durante todo o dia, dezenas de manifestações, pró e contra Lula, foram realizadas por todo o país, em uma prévia do clima que tomará o Brasil nesta quarta.   


A denúncia - O Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente de ter recebido propina da empreiteira OAS na forma de um apartamento tríplex no Guarujá (SP). Em troca, a construtora teria obtido contratos com a Petrobras.   


O fator determinante para a condenação de Lula por Moro foi o depoimento do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que disse que o imóvel pertencia ao petista e que a construtora bancou reformas para deixá-lo a seu gosto. Lula nega ser proprietário do apartamento.   


Por outro lado, o ex-mandatário foi absolvido dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relativos ao pagamento de R$ 1,3 milhão feito pela empreiteira à empresa Granero para armazenar o acervo presidencial do petista.   


Diferentemente da primeira instância, quando a sentença foi decidida por Moro de maneira monocrática, o julgamento no TRF-4 envolverá três desembargadores: João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Laus, que integram a Oitava Turma do TRF-4.   


A sessão está marcada para começar às 8h30, com a leitura do relatório de Gebran Neto. Em seguida, o procurador da República Mauricio Gerum terá 30 minutos para apresentar os argumentos do MPF, enquanto os advogados de defesa terão 15 minutos cada.   


Depois acontecerá a leitura do voto do relator, que será seguido por Paulsen e Laus, nesta ordem, e sem duração pré-determinada.   


Além disso, cada um dos desembargadores pode pedir vista, o que paralisaria o processo por tempo indefinido.   


Se condenado, Lula pode ser preso? - Entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) prevê que um réu condenado em segunda instância possa ser preso antes de apelar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou ao próprio STF.   


No entanto, Lula teria algumas possibilidades de recurso dentro do TRF-4, como os embargos de declaração, que não mudam a sentença, apenas pedem esclarecimentos sobre determinada decisão, e os embargos infringentes, quando a sentença não é dada de forma unânime, ou seja, por um placar de dois a um.   


No primeiro caso, o ex-presidente poderia apenas protelar uma eventual prisão, mas, no segundo, ele teria como reverter a condenação em um julgamento por seis desembargadores. Além disso, uma possível ordem de detenção, que não é obrigatória em segundo grau, poderia ser contestada no STJ ou no STF.   


Lula ficará inelegível? - A Lei da Ficha Limpa proíbe pessoas condenadas em segunda instância de se candidatarem a cargos eletivos. O ex-presidente poderia adiar ou tentar reverter uma sentença condenatória, mas, ainda assim, a decisão definitiva do TRF-4 sairia antes de 15 de agosto, prazo máximo para a inscrição de candidaturas.   


No entanto, a legislação abre a possibilidade de recurso contra a inelegibilidade no STJ ou no STF. (ANSA)
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