Eleição na Itália abriria caminho para volta de Berlusconi

Em Roma

  • Max Rossi/Reuters

    Berlusconi foi condenado a um ano de serviços sociais por fraude fiscal e recentemente "reabilitado" pela Justiça

    Berlusconi foi condenado a um ano de serviços sociais por fraude fiscal e recentemente "reabilitado" pela Justiça

A possibilidade concreta de eleições antecipadas na Itália abre caminho para o retorno do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, após ele ter sido "reabilitado" pela Justiça. 

No último pleito legislativo, em 4 de março, o líder conservador não pôde concorrer devido a uma condenação a um ano de serviços sociais por fraude fiscal, pena concluída em março de 2015.   

No entanto, no último dia 12 de maio, o Tribunal de Vigilância Penal de Milão declarou Berlusconi "reabilitado", benefício concedido a condenados que tenham descontado sua sentença há pelo menos três anos, cumprido todas as suas obrigações com a lei e dado provas de "boa conduta".   

O ex-primeiro-ministro estava inelegível até 2019, mas agora pode ocupar cargos públicos novamente, embora responda ainda a uma série de processos na Justiça. Atualmente, Berlusconi participa de uma aliança com os partidos ultranacionalistas Liga, de Matteo Salvini, e Irmãos da Itália (FDI), de Giorgia Meloni.   

"A quem me pergunta qual será o futuro do centro-direita, respondo que, nas próximas eleições, não imagino outra solução que não aquela de uma coalizão de centro-direita unida, com Força Itália [seu partido], Liga e Irmãos da Itália e destinada a prevalecer, até pela possibilidade de uma candidatura minha", afirmou o ex-premier em uma nota divulgada nesta segunda-feira (28).   

A hipótese de novas eleições ficou perto de se tornar realidade no último domingo (27), quando o presidente Sergio Mattarella rechaçou o nome proposto pela Liga e pelo Movimento 5 Estrelas (M5S) para o Ministério de Economia, encerrando as tratativas para um governo populista.   

O chefe de Estado ainda encarregou o economista Carlo Cottarelli de tentar formar um gabinete "técnico", mas é pouco provável que ele consiga o voto de confiança do Parlamento, o que forçará a convocação do país às urnas, provavelmente para o segundo semestre.   

Nesse cenário, Berlusconi poderia até mesmo pleitear o cargo de primeiro-ministro, mas, para isso, precisaria obter mais votos que a Liga dentro da aliança de direita, algo improvável de acontecer, segundo as últimas pesquisas.   

"Quem tiver mais votos dentro da coalizão escolherá o premier, com a diferença que, se Berlusconi decidir voltar a campo, poderá guiar o Força Itália nas próximas eleições, fazendo a diferença para a vitória", declarou o porta-voz do partido no Parlamento, Giorgio Mulé.

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