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Itália tinha traços da covid no esgoto em dezembro de 2019, diz instituto

Em Roma

19/06/2020 09h43

Um estudo divulgado pelo Instituto Superior de Saúde da Itália (ISS), órgão ligado ao governo, mostrou que traços do novo coronavírus (Sars-CoV-2) foram identificados no esgoto das cidades de Milão e de Turim já em dezembro do ano passado.

Com isso, a circulação do vírus na Itália já estava ocorrendo cerca de dois meses antes do primeiro caso da covid-19 ser confirmado. As amostras recolhidas nos centros urbanos do norte da Itália foram usadas como "espiãs" para entender a circulação do vírus na população e podem ajudara a compreender o início da pandemia no país.

"Desde 2007 com o meu grupo, nós levamos adiante pesquisas em virologia ambiental e recolhemos e analisamos amostras de águas residuais que chegam às estações de tratamento. O estudo coletou 40 amostras de águas residuais recolhidas entre outubro de 2019 e fevereiro de 2020, e 24 amostras de controle anteriores (setembro de 2018 a junho de 2019) nos permitiram excluir com certeza a presença do vírus", explica Giuseppina La Rosa, do Departamento de Qualidade da Água do Departamento de Ambiente e Saúde do ISS.

A pesquisa contou com a colaboração da especialista Elisabetta Suffredini, do Departamento de Segurança Alimentar, Nutrição e Saúde Público-Veterinária. "Os resultados, confirmados pelos dois laboratórios que usaram dois diferentes métodos, evidenciaram a presença do RNA do Sars-CoV-2 nas amostras retiradas em Milão e em Turim em 18 de dezembro de 2019 e também em Bolonha em 29 de janeiro de 2020.

Nas mesmas cidades, foram localizadas amostras positivas também nos meses sucessivos de janeiro e fevereiro de 2020, enquanto as amostras de outubro e novembro de 2019, assim como todos os demais controles, deram negativo", acrescentou La Rosa.

Os resultados italianos estão em linha com estudos em países como França e Espanha. No primeiro caso, um paciente com Covid-19 foi detectado em dezembro de 2019. Na época, ele foi tratado como um caso de pneumonia, mas novos exames mostraram que ele havia contraído o coronavírus.

Já na Espanha, mais precisamente em Barcelona, foi encontrado RNA do Sars-CoV-2 em amostras coletadas no esgoto da cidade 40 dias antes do primeiro caso ser confirmado.

"Precisamos destacar que encontrar o vírus não implica, automaticamente, que as cadeias de transmissão principais que levaram ao desenvolvimento da epidemia em nosso país tenham se originado nesses primeiros casos, mas em perspectiva, mostra que um rede de monitoramento sobre o território pode revelar-se preciosa para conter uma epidemia", ressaltou o diretor do Departamento de Águas e Saúde, Luca Lucentini.

O "caso 1" da Itália, ou seja, que ocorreu por transmissão comunitária dentro do país ocorreu em Codogno, na Lombardia, na madrugada dos dias 20 e 21 de fevereiro. A cidade fica a cerca de 60 quilômetros de Milão, capital da região.

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