Na Suíça, Janot recupera US$ 70 milhões da Lava Jato e diz que MP tem de ter 'couro grosso'

Marina Wentzel - De Basileia (Suíça) para a BBC Brasil

Em viagem à Suíça, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou a criação de uma força-tarefa entre os dois países nas investigações da Lava Jato e afirmou que não se sente intimidado com as críticas do ex-presidente Lula ao Ministério Público (MP).

"O Ministério Público precisa ter couro grosso. Ele mexe com a liberdade das pessoas, o patrimônio das pessoas e é normal que as pessoas reajam", disse Janot, defendendo que órgão tem de agir "com tranquilidade e tecnicamente, mas destemidamente".

"O Ministério Público não tem medo de nada."

Em sua visita à Suíça, Janot encontrou-se com o procurador-geral do país, Michael Lauber, para discutir detalhes sobre uma força-tarefa binacional que será implementada para dar continuidade às investigações da Lava Jato.

  • Leia mais: Duas visões: juristas divergem quanto a gravação de conversa entre Lula e Dilma
  • Leia mais: STF destrava processo de impeachment: o que pode acontecer agora?

Segundo comunicado da Suíça emitido nesta quinta-feira, os US$ 70 milhões que foram congelados em relação às investigações deverão retornar ao Brasil.

Até o momento, a Procuradoria Geral da Suíça recebeu 340 relatos de lavagem de dinheiro associados à investigação de contas ligadas à Petrobras.

O Ministério Público suíço solicitou documentos em relação a mil contas em 40 bancos no contexto das investigações relacionadas à Petrobras. Há 60 investigações que geram o congelamento de 800 milhões de dólares.

Lula

Ainda avaliando a possibilidade de Lula ter obtido foro privilegiado com a nomeação para a Casa Civil, Janot comentou que "ser ministro não blinda ninguém".

À respeito da tentativa de transferia os processos de Lula para o Superior Tribunal Federal, ele afirmou que "não muda nada". "Vou pegar os processos de Curitiba, vou trazer pro Supremo e vou dar continuidade tal qual acontecia em Curitiba, sem diferença nenhuma".

Questionado sobre o comentário de Lula a respeito da ingratidão, Janot respondeu: "Não sei que ingratidão, gratidão é essa. O que eu sei é que entrei no meu cargo por concurso público. Tenho 32 anos de carreira. Percorri toda a minha carreira, estou em final de carreira e se eu devo a alguém esse meu cargo é à minha família."

Aécio

O procurador-geral também foi questionado se o MPF não iria investigar a conta de Aécio Neves (PSDB) em Lichtenstein, para garantir equilíbrio na ação do MP.

"Eu não tenho balanço. Eu estou mexendo com uma pessoa, eu tenho que mexer com outra pessoa. O que a gente atua é tecnicamente. Se houver indício de algum crime, quem quer que seja vai ter que ser investigado. Simples assim".

Ele também enviou uma mensagem ao Brasil: "Eu pediria calma, realmente calma, que o Ministério Público continuará atuando independentemente da instância. E (diria) que o Brasil atravessa um problema e a gente tem que ter calma pra enfrentar esse problema."

"A pauta política não pode contaminar a pauta jurídica, e eu vou atuar dessa maneira."

Na quarta-feira, Janot esteve em Paris participando de encontro ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na ocasião, ele informou que o Ministério Público Federal (MPF), no contexto da Lava Jato, já havia solicitado ressarcimento no valor de 5,5 bilhões de euros (cerca de R$ 21 bilhões) contra 34 pessoas físicas e 16 jurídicas.

Além disso, pelo menos 1 bilhão de euros foram recuperados por meio de contas bloqueadas na operação que envolve 200 acusados e já resultou 137 prisões e 600 operações de busca e apreensão.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos