Diário revela que americana perdida em trilha nos EUA sobreviveu por 26 dias antes de morrer

  • Divulgação/Governo do Maine

    Os restos mortais de Geraldine foram encontrados apenas dois anos depois de seu desaparecimento, em outubro de 2015

    Os restos mortais de Geraldine foram encontrados apenas dois anos depois de seu desaparecimento, em outubro de 2015

Geraldine Largay tinha 66 anos quando se perdeu em uma trilha na costa leste dos Estados Unidos, em julho de 2013. Ela montou um acampamento nas proximidades de onde tinha se perdido e tentou enviar mensagens de texto para o marido, que não chegaram a ser transmitidas. Largay não resistiu às condições extremas, e seu corpo acabou sendo encontrado no ano passado.

Agora, autoridades do Estado americano de Maine revelaram que ela sobreviveu por 26 dias enquanto esteve perdida na caminhada pelos Apalaches, manteve um diário e deixou mensagens para a família antes de morrer, resignada.

"Quando você encontrar meu corpo, por favor ligue para o meu marido George (...) e minha filha Kerry", escreveu Largay em seu diário, segundo a Associated Press.

"Será uma gentileza de sua parte informar para eles que estou morta e onde vocês me encontraram - não importa quantos anos se passem."

Os restos mortais de Largay foram encontrados apenas dois anos depois de seu desaparecimento, em outubro de 2015.

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Documentos

As autoridades do Maine liberaram o acesso a mais de 1,5 mil páginas de documentos relacionados às buscas pela excursionista.

Fazer a trilha dos Apalaches, que passa por vários Estados americanos, estava na lista de viagens dos sonhos de Largay e ela começou o caminho junto com um companheiro de viagem que teve que abandonar o percurso devido a uma emergência na família.

Entre os objetos encontrados estava o celular de Largay, onde foram recuperadas as mensagens que ela tentou enviar ao marido, sem sucesso. Uma das mensagens não enviadas, de 22 de julho de 2013, dizia: "Estou com problemas". Naquele dia, ela havia se desviado de sua trilha.

Ela tentou ir para um terreno mais alto para conseguir sinal no celular e enviar as mensagens, mas o telefone não funcionou.

"Saí da trilha para ir ao banheiro, (estou) perdida agora", continuou, pedindo ao marido que entrasse em contato com as autoridades para que iniciassem as buscas por ela. Ela explicava que estava em algum lugar ao norte de uma estrada perto de um bosque.

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No dia seguinte, ela novamente tentou pedir ajuda.

"Perdi a trilha desde ontem, saí três ou quatro milhas (entre quatro e seis quilômetros). Chame a polícia, por favor."

George Largay entrou em contato com a polícia no dia 24 de julho de 2013, dando início a uma grande operação de buscas pela mulher.

Buscas

Os documentos liberados pelas autoridades indicam que as agências do Estado do Maine entrevistaram várias testemunhas e fizeram várias operações de busca durante mais de dois anos, informa a AP.

Entre o dia em que constatou que estava perdida e o dia em que morreu, Largay passou 26 dias na floresta. O último registro em seu diário foi feito no dia 18 de agosto de 2013.

Em outubro de 2015, os restos da americana foram encontrados por um empreiteiro que fazia obras na floresta, localizada em um terreno que pertence à Marinha dos Estados Unidos.

As equipes de resgate enviadas ao local descobriram que a barraca de Largay estava caída e o corpo dela estava dentro. Análises concluíram que ela morreu de inanição e exposição a elementos da natureza.

Entre os objetos encontrados com a americana no acampamento estavam escova de dentes, talco, estojo de primeiros socorros, cordas e cabos, uma caneta, lápis, mapas e papel.

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