O vilarejo suíço que decide entre pagar R$ 1 mi ou receber dez refugiados

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    Oberwil-Lieli fica no cantão de Aargau, no norte da Suíça, e sua população decide entre receber 10 refugiados sírios ou pagar multa equivalente a R$ 1 milhão

    Oberwil-Lieli fica no cantão de Aargau, no norte da Suíça, e sua população decide entre receber 10 refugiados sírios ou pagar multa equivalente a R$ 1 milhão

Oberwil-Lieli fica no cantão de Aargau, no norte da Suíça. Com pouco mais de 5 quilômetros quadrados e uma população de 2.222 pessoas, a cidade tem pelo menos 300 milionários. 

Um dos vilarejos mais ricos da Europa enfrenta um dilema: acolher dez refugiados ou pagar uma multa de cerca de R$ 1 milhão para não recebê-los.

Segundo conta Dominique Lang, um dos residentes, o tema dos refugiados foi abordado em uma reunião na Assembleia Municipal, em novembro do ano passado, para discutir o orçamento para o ano de 2016. Na ocasião, duas perguntas foram feitas aos participantes:

-- Você quer gastar dinheiro (290 mil francos suíços) pagando uma multa para não aceitar refugiados no nosso vilarejo?
-- Você não quer gastar dinheiro e aceitar o número de refugiados fixado pelo cantão de Aargau?

Segundo Lang, a maioria dos participantes da reunião era favorável a acolher os refugiados distribuídos em um programa de cotas recentemente lançado na Suíça.
Mas a forma como a consulta foi realizada deixou muitos no vilarejo insatisfeitos. Em janeiro, quatro eleitores decidiram convocar um referendo.

"Convocar um referendo é um direito de qualquer eleitor suíço, especialmente depois de uma assembleia municipal", disse à BBC Cornelia Hermann, porta-voz do município de Oberwil-Lili.

Os proponentes da consulta recolheram 492 assinaturas --cinco a mais que as 487 necessárias. A votação foi realizada no dia 1º de maio e participaram 1.105 eleitores.
A maioria, 579, optou por pagar a multa e não receber refugiados. A decisão ainda não é a palavra final sobre o assunto.

Hermann e Lang dizem que outra assembleia municipal será realizada na sexta-feira (10 de junho) para rediscutir o orçamento.

"Os eleitores terão de aceitar ou rejeitar o orçamento para 2016, que inclui a multa. Se o orçamento for rejeitado, todo o processo tem de começar de novo", disse Lang.

A multa será arrecadada a partir da coleta de impostos no vilarejo e paga às autoridades do cantão de Aargau, que usaria o dinheiro no cuidado aos refugiados em outros locais nessa região. O montante representa 110 francos suíços por dia para cada requerente de asilo que Oberwil-Lieli não aceitar.

Solidariedade

Lang e outros 14 habitantes de Oberwil-Lieli compõem um grupo chamado IG Solidaritaet, formado em setembro passado, quando o debate sobre acolher ou não refugiados na cidade ganhou corpo.

"Queremos expressar a nossa solidariedade para com os refugiados que chegam à Europa em busca de asilo e que fogem de guerras e outras circunstâncias que ameaçam suas vidas", diz Lang. "E também com outras cidades e vilarejos na região de Aargau que cumprem seu dever de ajudar e não pagam multas para que outros façam por eles."

Lang acredita que o medo levou muitos vizinhos a fechar as portas do vilarejo para os forasteiros.

"Muitas pessoas disseram que trabalharam toda a sua vida pelo seu dinheiro e não querem dividir isso", relata. "Eles têm medo de que vá aumentar a criminalidade no país. Têm medo de que não possam mais deixar seus filhos sair para brincar lá fora ou ir à escola. "

A verdade por trás disso, opina, é que "eles não querem ser amigos de estranhos". "Querem ficar entre suíços, com pessoas que já conhecem, que pensam da mesma maneira, que têm a mesma religião. Os muçulmanos não são bem-vindos, de jeito nenhum."

O prefeito, Andreas Glarner, descarta que a decisão tomada na votação seja fruto de preconceito ou simplesmente de falta de solidariedade.

"Não fomos informados se essas dez pessoas vêm da Síria ou se estão imigrando por razões econômicas de outros países", disse ele ao diário britânico "Daily Online".
"Temos de ajudar os refugiados sírios, mas é melhor para eles que seja em acampamentos perto de sua terra natal."

O prefeito disse que "o dinheiro pode ser enviado para ajudar, mas se os recebermos aqui, estaremos enviando uma mensagem errada".

"Outros virão e arriscarão suas vidas atravessando o oceano e pagando traficantes [de pessoas]."

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