Tiroteio em Dallas: veja o que se sabe até agora

Cinco policiais foram mortos em Dallas, no Estado norte-americano do Texas, quando um franco-atirador abriu fogo contra eles na última quinta-feira durante um protesto pacífico contra a morte de dois homens negros pela polícia em Louisiana e Minnesota.

Outros sete policiais e dois civis foram feridos pelo atirador, que disparou de uma posição elevada em um edifício-garagem.

O atirador foi identificado como Micah Johnson, de 25 anos. Ele morreu depois de um cerco feito pela polícia no centro de Dallas.

Três outras pessoas foram detidas --dois homens e uma mulher, mas a polícia diz acreditar agora que Johnson "agiu sozinho".

Durante o cerco, Johnson afirmou à polícia que queria matar "pessoas brancas", especialmente "policiais brancos", e que estava irritado pelas recentes mortes de negros pela polícia.

Ele foi morto remotamente pela polícia a partir de explosivos acoplados a um robô. Teria sido a primeira vez que a técnica foi usada nos EUA.

Tony Gutierrez/AP

Como o ataque aconteceu

Centenas de pessoas começaram a se reunir em Belo Garden, no centro de Dallas, por volta das 19h de quinta-feira (21h de Brasília) antes de marchar pela cidade em protesto contra as mortes de Philando Castile em Minnesota e Alton Sterling na Louisiana.

Às 20h45 (22h45 de Brasília), quando o protesto estava perto do fim, tiros foram disparados de um cruzamento. Imagens de TV mostraram ao vivo manifestantes correndo e buscando proteção.

Inicialmente, a polícia afirmou que inúmeros franco-atiradores estavam posicionados em "locais elevados" durante o percurso do protesto. Posteriormente, informou que Micah Johnson era o único autor dos disparos.

Quatro policiais foram mortos durante o ataque e outro morreu posteriormente em decorrência dos ferimentos. Outros sete policiais e dois civis ficaram feridos.

Imagens feitas por cinegrafistas amadores mostraram um policial se aproximando do atirador. Depois de uma rápida troca de tiros, o atirador é visto baleando o policial à queima roupa pelo menos duas vezes antes de fugir. O policial morreu na hora.

Por volta das 0h30 (2h30 de Brasília), a polícia disse que interrogou duas pessoas depois de um policial ver uma delas atirando uma bolsa camuflada no porta-malas de uma Mercedes preta e arrancar com o veículo.

Pouco depois, o chefe da polícia de Dallas, David Brown, disse que os policiais haviam cercado um suspeito no segundo andar de um edifício-garagem e iniciado negociações com ele.

Depois de várias horas de negociações e trocas de tiros, Brown informou que a polícia "não teve outra escolha a não ser usar um robô-bomba". O atirador foi morto quando o dispositivo explodiu.

"Outras opções exporiam os nossos policiais a um risco grave", acrescentou Brown.

Acredita-se que tenha sido a primeira vez que a polícia americana usou um robô para ajudar a matar um humano.

Durante as negociações fracassadas, o atirador fez ameaças sobre bombas na cidade, mas às 5h45 de sexta-feira (7h45 de Brasília), a polícia disse que nenhum explosivo foi encontrado, apesar de vasculhar todas as áreas no centro de Dallas.

Quem são as vítimas?

  • Brent Thompson, 43: Thompson trabalhava como policial na agência de transporte municipal de Dallas (Dallas Area Rapid Transit ou DART) e foi a primeira vítima a ser identificada.

Ele havia servido na Marinha americana e se casado recentemente.

  • Patrick Zamarripa, 32: O pai de Patrick, Rick, afirmou ao jornal americano The Washington Post que seu filho havia sobrevivido a três incursões no Iraque com a Marinha americana.

Quando ele deixou a Marinha, passou a trabalhar no Departamento de Polícia de Dallas. Recentemente, patrulhava o centro de Dallas de bicicleta.

  • Michael Krol, 40: Michael Krol ingressou no departamento de polícia de Dallas em 2007 depois de ter atuado como xerife em Michigan, seu Estado natal, por quatro anos.

A mãe de Krol, Susan Ehlke, descreveu seu filho como "uma pessoa carinhosa", que estava "vivendo o sonho de ser policial".

  • Michael J. Smith, 55: Pai de dois filhos e veterano do Exército americano, o sargento Michael Smith já havia recebido um prêmio como o melhor policial pela Associação da Polícia de Dallas.
  • Lorne Ahrens, 48: Lorne Ahrens trabalhava como policial havia 14 anos, segundo o jornal americano Dallas Morning News.

"Ele sempre estava feliz, com um sorriso no rosto", disse ao jornal um colega de Ahrens.

Sete outros policiais ficaram feridos no ataque, incluindo três funcionários do DART que foram identificados como Omar Cannon, 44, Misty McBride, 32, e Jesus Retana, 39. Um porta-voz do órgão disse que eles devem se recuperar dos ferimentos.

Um dos civis seria Shetamia Taylor, que foi baleada na perna enquanto protegia seus filhos. Ela teria sido hospitalizada e se recupera bem.

Reuters

Quem é o atirador?

Natural do subúrbio de Mesquite, em Dallas, Micah Johnson, de 25 anos, era um veterano do Exército americano. Ele atuou como militar até abril de 2005, serviu no Afeganistão e não tinha antecedentes criminais tampouco ligações com grupos terroristas.

Material para confecção de explosivos, rifles e munição foram encontrados em sua casa, informou a polícia.

Johnson afirmou à polícia durante o cerco que queria matar "pessoas brancas", especialmente "policiais brancos", e que estava irritado com o movimento Black Lives Matter ("Vidas dos negros importam", em tradução livre) e pelas recentes mortes de negros pela polícia.

Segundo a polícia, o atirador teria agido sozinho. Três outros suspeitos ainda estão detidos.

O que as testemunhas disseram?

Uma testemunha disse à rede de TV local WFAA: "Ouvimos tiros e, inicialmente, não percebemos do que se tratava. Quando nos demos conta do que era, saímos correndo".

"Todo mundo correu para todo lugar e o que tentamos fazer foi tentar tirar as mulheres e as crianças da linha do tiro".

"Foi uma experiência horrível ver todas aquelas pessoas correndo e não sabendo de onde vinham os tiros".

Outra testemunha afirmou: "A manifestação estava grande. Um homem passou por mim. Ele parecia normal. Assim que o protesto passou, ele começou a atirar nos policiais, que correram. Me escondi atrás de uma lata de lixo. Tentei não ser atingido, mas ao mesmo tempo acompanhei tudo com os olhos. Foi tudo muito louco. Quando as pessoas se reúnem para fazer algo do tipo (protesto), é muito triste que isso aconteça."

 

Qual foi a reação dos políticos?

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que os Estados Unidos ficaram "horrorizados" com o que pareceu um ataque planejado contra policiais.

Falando da Polônia, onde estava devido a uma reunião da Otan, ele disse que a investigação continua, mas "o que sabemos é que houve um ataque perverso, calculado e desprezível contra nossas forças de segurança".

Ele acrescentou que o episódio foi uma "dolorosa lembrança dos sacrifícios" que os policiais fazem todos os dias.

Já o empresário Donald Trump, candidato à Presidência dos EUA pelo Partido Republicano, tuitou: "Orações e condolências a todos as famílias que estão completamente devastadas pelos horrores que todos estamos assistindo ocorrer em nosso país".

Também no Twitter, a candidata pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, disse lamentar "pelos policiais baleados enquanto realizavam o dever sagrado de proteger manifestantes pacíficos, suas famílias e todos aqueles a quem eles servem".

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