Dado como morto, líder do Estado Islâmico pode ser dono de voz em áudio divulgado

Militantes do grupo autodenominado Estado Islâmico (EI) divulgaram uma gravação de áudio que parece conter a voz de seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi.

O emissor da voz, que se assemelha à de Baghdadi, parece fazer referências às ameaças recentes da Coreia do Norte ao Japão e aos EUA.

Ele também fala de batalhas em áreas disputadas pelo grupo, como Mossul, que foi reconquistada por forças iraquianas em julho.

Baghdadi, que é alvo oferta de recompensa pelos EUA no valor de US$ 25 milhões (R$ 79 milhões), não é visto publicamente desde julho de 2014 - gerando muita especulação sobre seu paradeiro.

Sua última aparição foi durante uma reza na Grande Mesquita de al-Nuri, em Mossul, depois que o grupo radical ocupou a cidade e proclamou ali o seu "califado".

Questionado sobre o áudio, um representante das forças americanas que lutam contra o Estado Islâmico, Ryan Dillon, disse que "sem evidências verificáveis sobre sua morte, continuamos a assumir que ele ainda está vivo".

Enquanto isso, uma fonte do setor de inteligência dos EUA afirmou que técnicos ainda estão trabalhando para verificar o áudio - mas que "não temos razão para duvidar de sua autenticidade".

A gravação, de 46 minutos, foi publicada por um site ligado ao EI.

O grupo, que ganhou notoriedade pela violência brutal contra civis e prisioneiros, vem perdendo espaço no Iraque e na Síria neste ano.

Esconderijo

O emissor faz referências não só a Mossul, mas também a batalhas em Raqqa e Hama, na Síria, além de Sirte, na Líbia - ele diz que o sangue derramado não escorreria em vão. Também fala das negociações de paz, apoiadas pela Rússia, na Síria, mas a maior parte da gravação consiste em referências religiosas.

Baghdadi pode estar se escondendo em território ainda controlado pelo Estado Islâmico ao longo da fronteira entre o Iraque e a Síria.

Desde mais recente aparição pública, em 2014, o EI perdeu boa parte da região que controlava na época, do tamanho do Reino Unido.

Tanto para seus apoiadores quanto para inimigos, o sumiço de Baghadadi é surpreendente em um momento tão crítico para o grupo.

Hoje, poucas pessoas devem saber do paradeiro atual do líder, segundo escreveu recentemente para a BBC News Hassan Hassan, do Instituto Tahrir para Políticas no Oriente Médio.

Isso dificulta a ação americana, que tem dedicado forças especiais apenas para buscar Baghdadi.

Em junho, a Rússia afirmou que era "muito provável" que o líder do EI tivesse sido morto em um bombardeio aéreo em maio, liderado por forças russas, em Raqqa. Depois, uma autoridade iraquiano afirmou que Baghdadi "estava morto com certeza".

No entanto, o líder já havia sido dado como morto em outras ocasiões, o que gerou ceticismo entre oficiais americanos.


Análise de Frank Gardner, especialista em segurança da BBC

E então, o líder do Estado Islâmico ainda está vivo, ou ao menos até agosto, pelo que parece.

Isso vai ao encontro das análises de agências de inteligência ocidentais e do governo iraquiano, que sempre foram céticos em relação às afirmações dos russos de que ele teria sido morto em um bombardeio aéreo.

Sua aparente sobrevida dará um pequeno impulso moral para os sitiados combatentes do EI, ainda aguerridos em Raqqa - mas é improvável que isso faça alguma diferença estratégica.

Como o chefe da al-Qaeda, Dr Ayman al-Zawahiri, o líder do EI encontra-se tão limitado pela necessidade de manter sua localização secreta que se comunica raramente, e é improvável que ele se coloque na posição de comandar pessoalmente operações - além de dar sua benção.

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