Por que as pessoas estão saindo às ruas em protestos no Irã?

  • Ebrahim Noroozi/AP

    Iranianas saem às ruas durante protesto pró-governo em Teerã

    Iranianas saem às ruas durante protesto pró-governo em Teerã

Milhares de pessoas foram às ruas do Irã neste sábado (30) manifestar em defesa da administração do presidente Hassan Rohani, depois de dois dias de protestos consecutivos contra o governo.

A televisão estatal mostrou uma multidão vestindo preto e erguendo bandeiras pró-governo na capital Teerã. Mas, desde quinta, o Irã também assiste a protestos de insatisfeitos com Rohani, os clérigos e a política iraniana.

Dezenas de pessoas foram presas por manifestarem contra corrupção e aumento do custo de vida no país.

Até o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu à forma como o país conteve as demonstrações que estão se espalhando pelo Irã.

Trump escreveu no Twitter que "o governo iraniano deveria respeitar os direitos das pessoas, incluindo o direito de expressão". "O mundo está de olho", escreveu Trump, dizendo ainda que os protestos eram pacíficos e acusando o regime iraniano de ser corrupto e de financiar terroristas.

As manifestações desse sábado foram organizadas por partidários ao governo. Foi uma resposta aos críticos do regime de Rohani e também um ato em comemoração ao oitavo aniversário da contenção das grandes demonstrações realizadas em 2009. Naquele ano, milhares também foram às ruas a favor do então presidente Mahmoud Ahmadinejad, em reação a protestos organizados por reformistas que alegavam fraude eleitoral.

Autoridades iranianas responsabilizam autoridades estrangeiras e contrários à revolução de 1979 que transformou o país em república islâmica pelas atuais manifestações antigoverno. E prometeram tratar com dureza os protestos contra o regime de Rohani, embora admitam que existe um descontentamento genuíno e generalizado.

Ebrahim Noroozi/AP
Manifestantes iranianos saem às ruas durante marcha em Teerã

Como manifestações antigoverno começaram no Irã?

Os protestos começaram na cidade de Mashhad, a segunda mais populosa, no noroeste do Irã, na quinta-feira.

As pessoas foram às ruas demonstrar irritação contra o aumento de preços e atacar o presidente. Cinquenta e duas pessoas foram presas por entoar gritos de protestos considerados "duros".

A partir daí, os protestos se espalharam por pelo menos seis cidades na sexta. Em alguns locais, houve confronto entre manifestantes e as forças de segurança, que avançaram sobre a multidão com motos.

Algumas das demonstrações tinham uma pauta de reivindicação mais ampla, que incluíam pedidos para libertar presos políticos e acabar com a violência policial.

O Irã não via nada parecido desde 2009.

Apesar de terem tamanhos variados - algumas com 100 e outras com milhares - , as manifestações antigoverno no Irã chamam a atenção pelo fato de estarem se espalhando rapidamente.

Nas redes sociais, há convocações para mais marchas no sábado.

O que o governo do Irã diz sobre os protestos?

O primeiro vice-presidente iraniano Eshaq Jahangiri sugere que opositores políticos estão por trás das manifestações de rua.

"Alguns incidentes no país aconteceram sob o pretexto de problemas econômicos, mas parece que há algo mais por trás deles. Eles pensam que, fazendo isso, prejudicam o governo, mas serão (prejudicados) os outros que pegam carona nessa onda".

O governador-geral de Teerã prometeu uma ação firme da polícia, que está nas ruas.

Autoridades em Mashhad disseram que o protesto foi organizado por "elementos contrarrevolucionários", e um vídeo postado na internet mostrou que a polícia usava canhões de água para contê-los.

O que está por trás das manifestações?

A principal motivação é, a princípio, a situação econômica do país e escândalos de corrupção envolvendo políticos.

O Irã não conseguiu se recuperar dos efeitos das sanções internacionais pelo seu programa nuclear. Convive ainda com desemprego e inflação.

Nas ruas, os antigoverno não só cantam gritos contra o presidente como também contra o líder supremo Ayatollah Ali Khamene e contra os clérigos em geral.

Uma das manifestações aconteceu em Qom, cidade sagrada do xiismo, onde se ouviu gritos de "as pessoas estão implorando, os clérigos agem como Deus".

Há ainda insatisfação com compromissos assumidos pelo Irã em outros países, ao invés de focar nos problemas internos. "Não a Gaza, não ao Líbano, minha vida no Irã", gritaram os que protestavam. Vídeos mostram ainda pessoas gritando "deixem a Síria, pensem em nós".

O Irã é um aliado chave do governo sírio de Bashar al-Assad, para quem dá apoio militar.

O país também é acusado de fornecer armas a rebeldes que lutam na coalisão saudita no Iêmen e de apoiar o movimento xiita Hezbollah no Líbano - o governo iraniano nega as acusações.

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