50 anos após assassinato de Martin Luther King, qual é a cor do Congresso dos EUA?

  • AP

Há exatos 50 anos, era assassinado o mais conhecido líder do movimento pelos direitos civis nos EUA. Martin Luther King ficou famoso pelo discurso que fez em 1963 em Washington, que começava com um emblemático "Eu tenho um sonho" e que descreve seu anseio por igualdade racial no país, e por defender direitos eleitorais iguais para todos os americanos.

Em um de seus pronunciamentos, em 1957, Luther King afirmou: "Deem-nos as urnas, e nós preencheremos os corredores legislativos com homens de boa vontade".

Meio século depois, a BBC faz uma análise da composição racial e étnica do Congresso americano e de como as legislaturas estaduais mudaram nesse intervalo.

O Congresso dos EUA é composto por 435 legisladores eleitos para a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados brasileira) e por mais 100 eleitos ao Senado.

A política americana gradualmente se tornou mais etnicamente diversa, e o Congresso atual é o que tem mais legisladores de diferentes grupos raciais e étnicos. A ascensão de Barack Obama à Presidência, em 2008, também foi vista como um marco importante.

No entanto, se comparadas com o total da população americana, muitas instâncias políticas dos EUA continuam sendo desproporcionalmente brancas.

Mudanças no Senado

Meses antes de Luther King ser assassinado por um extremista, o político Edward Brooke se tornou o primeiro afro-americano a vencer uma eleição ao Senado pelo voto popular.

Brooke, que representava o Estado de Massachusetts e cumpriu dois mandatos, era conhecido por sua defesa da habitação popular e da igualdade racial no Sul americano.

Sete senadores afro-americanos foram eleitos desde então, dois deles mulheres.

No Congresso como um todo, o número de afro-americanos, asiáticos americanos e hispano-americanos aumentou nas últimas décadas. Mas a enorme maioria ainda é de legisladores brancos.

Nas últimas cinco décadas, mais do que dobrou o total de minorias na população americana.

Em 2017, 3% do Senado e 10% da Câmara dos Representantes era de afro-americanos - mas esse grupo equivale a 13% da população total.

Havia desproporção similar de asiáticos americanos (2% no Senado e 3% na Câmara, mas 6% na população geral) e hispano-americanos (4% no Senado e 9% na Câmara contra 18% da população).

Mais representação na Câmara

Cerca de 23% dos eleitos na Câmara são de minorias, uma proporção maior do que no Senado.

Se considerados apenas os recém-eleitos ao Congresso (nas duas câmaras), 34% são de grupos minoritários, segundo levantamento do Centro de Pesquisas Pew.

Praticamente todos esses legisladores de minorias étnicas são do Partido Democrata. O processo de tornar a política mais representativa tem sido bastante menos substancial entre republicanos, diz à BBC Jennifer Lawless, diretora do Grupo de Mulheres e Política na Universidade Americana em Washington.

Uma das razões pelas quais isso é importante, diz Lawless, é porque políticos têm mais tendência a levantar questões próximas a minorias se tiverem eles próprios sido afetados por esses temas.

Há dois nativos americanos atualmente na Câmara dos Representantes: Tom Cole, da tribo Chickasaw, e Markwayne Mullin, da tribo Cherokee, ambos por Oklahoma.

Na história do Senado, houve três senadores de ascendência nativo-americana conhecida. Ben Nighthorse Campbell, membro da tribo Norte Cheyenne, teve mandato até 2005.

Política estadual

Mais de 7 mil homens e mulheres cumprem mandatos nas legislaturas estaduais. Assim como seus pares no Congresso Nacional, representantes estaduais têm uma diversidade racial e étnica bem menor do que a população em geral. Segundo estudo de 2015 da Conferência Nacional de Legislaturas Estaduais (NCSL, na sigla em inglês), Havaí e Novo México têm as duas maiores proporções de legisladores de minorias - 78% e 49%, respectivamente.

O Estado com a maior proporção de legisladores brancos é Dakota do Norte, com 99%. As minorias compõem 15% da população total do Estado.

No que diz respeito especificamente a afro-americanos, o Mississippi é o Estado com a maior proporção de legisladores negros; no caso de hispano-americanos, sua maior representatividade é na legislatura do Novo México.

Na ausência de dados das legislaturas nos anos 1960, é desafiador traçar uma evolução completa da representatividade legislativa americana desde a morte de Luther King. Mas a pesquisa da NCSL revela que a porcentagem de afro-americanos eleitos em âmbito estadual aumentou de 2% a 9% entre 1971 e 2011. Hispano-americanos são 5% dos legisladores estaduais - um aumento em relação aos 2,2% em 1991, mas poucos se pensarmos que 18% da população do país tem ascendência latino-americana.

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