Líderes mundiais lembram Shimon Peres como visionário e estadista

Ex-presidente e ex-primeiro ministro de Israel é lembrado por seus esforços pela paz e como alguém que escreveu a história. "Uma luz se apagou, mas a esperança que ele nos deu permanecerá para sempre acesa", diz Obama.Após o anúncio da morte do ex-primeiro-ministro e ex-presidente de Israel Shimon Peres, na madrugada desta quarta-feira (28/09), aos 93 anos, líderes de várias nações se manifestaram sobre o ex-estadista, lembrado como um "visionário" e "um gênio com grande coração". Peres foi um dos fundadores do Estado de Israel, em 1948, e recebeu o Nobel da Paz em 1994 por seus esforços para a resolução do conflito com os palestinos. O presidente israelense, Reuven Rivlin, descreveu o antecessor como "um homem que carregou toda uma nação com as asas da imaginação, com as asas da visão". O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por sua vez, definiu Peres como "o último de nossos pais fundadores". "Ele não viu a história acontecer. Ele a escreveu", disse o premiê. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama elogiou Peres como alguém que representou a essência de Israel. "Há poucas pessoas com quem dividimos este mundo que mudam o curso da história da humanidade, não apenas por meio de seu papel nos acontecimentos humanos, mas porque expandem nossa imaginação moral e nos forçam a esperar mais de nós mesmos", disse. "Meu amigo Shimon era uma dessas pessoas. Uma luz se apagou, mas a esperança que ele nos deu permanecerá para sempre acesa." O ex-presidente americano Bill Clinton e sua esposa e candidata democrata à presidência, Hillary Clinton, afirmaram ter perdido "um verdadeiro e precioso amigo", chamando-o de "um gênio com um grande coração, que usou seus dons para imaginar um futuro de reconciliação e não de conflito". "Grande estadista" O ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que "o mundo perdeu um grande estadista, Israel, um de seus pais fundadores, e a Alemanha, um amigo e parceiro muito estimado". O ministro destacou o engajamento de Peres em prol da amizade entre Alemanha e Israel. "Suas contribuições para Israel, a terra de sobreviventes que ele ajudou a construir e moldou durante décadas com suas palavras e atos, são difíceis de mensurar", declarou Steinmeier. O presidente alemão, Joachim Gauck, enviou condolências a Rivlin, nas quais destacou que a vida do ex-líder israelense, a serviço da paz e da reconciliação, pode servir de exemplo para os jovens de hoje. "Nós, alemães, vamos nos lembrar particularmente de sua disposição para a reconciliação. Apesar das atrocidades cometidas pelos alemães contra a família e o povo dele durante o Holocausto, Simon Peres nos estendeu a mão", destacou Gauck. Seu homólogo francês, François Hollande, chamou Peres de visionário. "Ele impressionava seus interlocutores com sua capacidade de propor iniciativas ousadas e novas ideias para alcançar esses ideais." Solução de dois Estados A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, afirmou que a memória do ex-líder israelense pode ser honrada com um "compromisso diário com a reconciliação", "preservando e dando continuidade à sua visão de uma solução de dois Estados". Mogherini salientou ainda que Peres "nunca perdeu a esperança na paz e nunca deixou de trabalhar para que essa esperança se tornasse realidade". "Mesmo nos piores momentos, a sua sagacidade, a sua ironia, a sua procura obstinada pelo diálogo foram uma fonte de inspiração para muitos em todo o mundo, incluindo eu mesma", salientou, lembrando que ele sempre defendeu que a única via para a segurança do povo israelense é a paz com os palestinos. O funeral de Peres, a ser realizado em Jerusalém nesta sexta-feira, deverá contar com a presença de diversos líderes internacionais. Segundo o Ministério israelense do Exterior, a lista inclui: Obama, o secretário de estado americano, John Kerry, Hillary e Bill Clinton, o príncipe Charles, Gauck, Hollande, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, o premiê australiano, Malcolm Turnbull, e o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto. O papa Francisco também deve comparecer. Peres foi vítima de um derrame no dia 13 de setembro. Ele estava internado num hospital em Tel Aviv há duas semanas, e sua situação era acompanhada com apreensão em Israel. LPF/dpa/lusa/ap/epd

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