Colômbia adia conversações de paz com ELN

Presidente Juan Manuel Santos suspende início do diálogo com o segundo maior grupo rebelde do país, previsto para esta quinta-feira. Bogotá exige que ELN liberte o ex-deputado Odín Sánchez. Guerrilha rechaça suspensão.O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, decidiu adiar o início da chamada fase pública de conversações de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN), segunda maior guerrilha colombiana, previsto para acontecer nesta quinta-feira (27/10) em Quito, capital do Equador. "Quero anunciar ao país que eu dei instruções à equipe que comanda as negociações com o ELN para que suspenda a viagem para a cidade de Quito", declarou Santos, em discurso na Casa de Nariño. Segundo o presidente colombiano, as negociações de paz continuarão suspensas até que o grupo rebelde liberte, "são e salvo", o ex-deputado Odín Sánchez Montes de Oca. O político se entregou ao ELN em março deste ano, em troca da libertação de seu irmão, o ex-governador Patrocinio Sánchez Montes de Oca, sequestrado pela guerrilha em 2013. Após o discurso de Santos, o Exército de Libertação Nacional divulgou, em mensagem em rede social, que não concorda com a decisão do governo colombiano de suspender as negociações. "Não compartilhamos com a suspensão da instalação da mesa [de diálogo]", disse o grupo rebelde no Twitter, acrescentando que tratará de "remarcar" a atividade "para os próximos dias". Nesta quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) declarou que deu início a uma operação para conquistar a libertação de Montes de Oca, com acompanhamento da Igreja Católica. Segundo Camilo Restrepo, chefe da equipe de negociação do governo, "os compromissos assumidos pelo governo e pelo ELN em Caracas foram precisos para ambas as partes". "Sempre ficou claro que era necessária a libertação do ex-deputado Odín Sánchez para dar início à fase pública", afirmou. Restrepo adiantou que espera que a liberdade do ex-parlamentar esteja resolvida antes do dia 3 de novembro, quando estão marcadas para começar as negociações formais entre Bogotá e o ELN. Negociações de paz A Colômbia vive dias tensos desde 2 de outubro, quando um referendo rejeitou o acordo de paz negociado há quatro anos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), maior do país. Embora o cessar-fogo tenha sido prorrogado até o fim do ano e novos diálogos tenham começado, não é certo se alterações no tratado conseguirão ser negociadas até o final da trégua. Com o ELN, Bogotá deu início aos contatos em 2014. No fim de março, o grupo e o governo colombiano já haviam anunciado em Caracas o início de uma fase pública de negociações de paz, cuja abertura foi condicionada pelo Executivo à solução de algumas "questões humanitárias", como o fim dos sequestros. A guerrilha tem em seu poder um número desconhecido de pessoas. O Exército de Libertação Nacional, inspirado na Revolução Cubana, teve origem em uma insurreição camponesa de 1964, semelhante às Farc, e ainda mobiliza cerca de 2 mil combatentes. O grupo guerrilheiro é considerado uma organização terrorista pela Europa e Estados Unidos. EK/efe/dpa/afp/lusa

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