Berlim faz apelo contra xenofobia após prisão de refugiado

Afegão de 17 anos é suspeito de ter estuprado e matado estudante em Freiburg em outubro. Merkel e políticos alemães alertam contra generalizações em torno do crime, que reacendeu debate sobre política migratória no país.O governo alemão pediu cautela à população nesta segunda-feira (05/12) após a prisão, durante o fim de semana, de um jovem refugiado afegão de 17 anos, suspeito de estuprar e matar uma estudante de 19 anos na cidade de Freiburg. O crime reacendeu o debate sobre a política migratória da Alemanha. Em entrevista à emissora ARD, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, afirmou que o crime "deve ser absolutamente condenado como qualquer outro assassinato", e não apenas porque foi supostamente cometido por um imigrante do Afeganistão, cuja culpa ainda não foi comprovada. Mais cedo, o porta-voz do governo, Steffen Seibert, também comentou o caso, fazendo um apelo contra conclusões generalizadas. Ele declarou que, caso as acusações sejam confirmadas, o suspeito deve ser punido, mas pediu para que ninguém esqueça que se trata de "um crime possivelmente cometido por um refugiado afegão", e não por todos os afegãos ou por todos os refugiados. O caso reacendeu o debate sobre a política para refugiados adotada por Merkel na Alemanha, país que, sozinho, recebeu cerca de 1,3 milhão de migrantes desde o início de 2015. O prefeito de Freiburg, Dieter Salomon, acusou grupos de direita de estarem usando o homicídio para incitar o ódio contra migrantes. O político também apelou para que o crime seja analisado de forma isolada. "Acredito que os cidadãos de Freiburg sabem que um crime terrível foi cometido, mas que isso não significa que todos os outros [refugiados] vão fazer o mesmo", disse o prefeito. Já Thomas Strobl, secretário do Interior de Baden-Württemberg, estado onde Freiburg está localizada, declarou que "o suposto autor do crime deve ser levado à Justiça e exposto à lei, independentemente de sua nacionalidade ou de quantos anos já viveu na Alemanha". Em entrevista ao jornal Bild, o vice-chanceler federal e ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, insistiu que crimes hediondos como esse "já existiam [no país] antes da chegada do primeiro refugiado do Afeganistão ou da Síria". O político rechaçou qualquer comentário ou atitude xenófoba. Em meados de outubro, a estudante de medicina Maria L., de 19 anos, estava a caminho de casa com sua bicicleta, após sair de uma festa, quando foi estuprada e assassinada. Seu corpo foi achado no rio Dreisam, que corta a cidade de Freiburg, com indícios de afogamento. O suposto autor do crime – um jovem de 17 anos, sem antecedentes criminais e que chegou desacompanhado na Alemanha em 2015 – foi preso no sábado passado, depois de um teste de DNA comprovar que um fio de cabelo encontrado na cena do crime pertencia ao rapaz afegão. EK/efe/dpa/afp/ots

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