Japão lança "Sexta-feira Premium" para combater workaholics

Programa do governo incentiva empresas a mandar funcionários para casa mais cedo na última sexta-feira do mês. Iniciativa busca minimizar cultura do trabalho excessivo e, de quebra, estimular o consumo.O fim de semana começou mais cedo para alguns japoneses nesta sexta-feira (24/02). O motivo é uma nova campanha do governo do Japão que busca reduzir o tempo em que funcionários passam em escritórios pelo país, notório pela cultura do trabalho excessivo. Batizado de "Sexta-feira Premium", o programa incentiva empresas a liberarem seus empregados às 15h na última sexta-feira de cada mês. Proponentes da medida acreditam que a mudança irá levar não só a uma melhor qualidade de vida, mas também estimular o consumo e, assim, fortalecer a economia. Leia mais: A tecnologia está criando workaholics? "Jornadas de trabalho excessivas se tornaram um grande problema", disse à agência de notícias Reuters Etsuko Tsugihara, diretora-executiva da empresa de relações públicas Sunny Side Up Inc. "Nós já estávamos pensando em maneiras de melhorar nosso próprio ambiente de trabalho quando o governo apresentou a Sexta-feira Premium, e nós achamos que era uma boa ideia." "No ramo de indústrias criativas, a inspiração não vem apenas de ficar um longo tempo no escritório. Mas se você descansar, respirar ar novo e ver coisas novas, as ideias virão. [Assim], você estará renovado quando voltar na segunda-feira." Reação do governo e das empresas A Sexta-feira Premium é parte de um esforço mais amplo pelo governo do primeiro-ministro Shinzo Abe de reduzir as horas de trabalho, após o suicídio de um funcionário da agência de publicidade Dentsu, em um caso qualificado como "morte por excesso de trabalho". Entre as táticas já em vigor pelo país para expulsar os funcionários do trabalho, está a adotada pela Mitsui Home Co, que todos os dias às 18h toca pelos auto-falantes a música Gonna Fly Now, famosa trilha do filme Rocky. Já a Saint-Works Corporation, especializada no desenvolvimento de sistemas de TI para a indústria de enfermagem, estabelece um dia por mês em que a hora extra é proibida. Infratores têm de usar uma "capa da vergonha" de cor roxa com estrelas douradas. Esses exemplos, contudo, ainda são exceção em uma cultura que julga os empregados pelo número de horas em que eles permanecem no local trabalho e em que os funcionários sofrem pressão para não deixar a empresa antes de seus chefes. Um relatório do governo divulgado em outubro aponta que quase uma em cada quatro companhias japonesas tinha empregados que trabalharam mais de 80 horas extras em um mês. A fim de minimizar o problema, o governo japonês submeteu a uma comissão especial na semana passada uma proposta para limitar a hora extra em 720 horas por ano – ou uma média de 60 horas por mês. IP/rtr/ap/afp

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