Ancara espiona turcos na Alemanha

Jornal diz que autoridades alemãs estão alertando comunidade turca sobre espionagem e filmagens secretas. Presidente do Bundestag acusa o governo Erdogan de encenar "um golpe contra a democracia$escape.getQuote().As autoridades alemãs estão alertando membros da comunidade turca na Alemanha de que eles estão sendo espionados e filmados pela inteligência do governo Recep Tayyip Erdogan, segundo reportagem do diário Süddeutsche Zeitung publicada na segunda-feira (27/03). O presidente do Parlamento alemão acusou Ancara de encenar "um golpe contra a democracia". A agência de espionagem da Turquia identificou centenas de supostos partidários do exilado clérigo muçulmano Fethullah Gülen que vivem na Alemanha. Os dados foram compilados e passados a autoridades alemãs em Berlim. Além de nome, a lista contém endereços, números de telefone e fotos tiradas secretamente por meio de câmeras de vigilância. Ancara afirma no dossiê ter identificado mais de 300 pessoas e cerca de 200 estabelecimentos , como clubes e escolas, com ligações com Gülen. A lista foi entregue ao chefe do Serviço Federal de Informações (BND), a agência de inteligência alemã, no mês passado por seu homólogo turco durante a Conferência de Segurança de Munique. Isso permitiu a autoridades em todo o país alertarem aqueles que foram vigiados pela Turquia. Um estado alemão foi mais longe, com o departamento criminal da Renânia do Norte-Vestfália advertindo os moradores listados que possíveis represálias esperavam por eles caso retornem a território turco. O governo turco culpa Gülen, que vive nos Estados Unidos, de orquestrar a fracassada tentativa de golpe militar em julho do ano passado. A Turquia lançou desde então uma repressão maciça à oposição e acusou os simpatizantes de Gülen – que negou qualquer participação na insurreição – de serem terroristas. Referendo controverso Os detalhes reportados pelo Süddeutsche Zeitung vêm à tona num momento em que os turcos que vivem na Alemanha começaram a votar num referendo constitucional que consolidaria os poderes de Erdogan, caso seja aprovado. Críticos afirmam que esse cenário acabaria efetivamente com a democracia na Turquia e daria poderes autocráticos ao presidente. A campanha eleitoral turca em solo europeu abalou as já frágeis relações entre a Turquia e a União Europeia (UE), depois que autoridades europeias cancelaram vários comícios políticos turcos. Na Alemanha, cerca de 1,4 milhão de cidadãos turcos são elegíveis para votar no referendo. Também na segunda-feira, o presidente do Parlamento alemãi, Norbert Lammert, disse que Erdogan está tentando "transformar um sistema indubitavelmente frágil, mas mesmo assim democrático, num sistema autoritário", por meio do referendo de abril. "Esta segunda tentativa de golpe ameaça ser bem sucedida", acrescentou Lammert, que criticou o "incompreensível" consentimento do Parlamento da Turquia com a sua própria fragilização. Suíça investiga espionagem Na semana passada, a Suíça iniciou uma investigação criminal sobre alegações de que Ancara havia espionado turcos em seu território. Foi uma reação à filmagem de vários eventos na Universidade de Zurique (ETH), incluindo um debate sobre o genocídio armênio de 1915 por turcos otomanos – um termo que o governo de Ancara rejeita veemente – e outro onde o editor-chefe do diário turco Cumhuriyet foi homenageado. PV/afp/rtr/ots

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