Empresas alemãs negam intenção de erguer muro de Trump

Ben Knight (fc)

Duas multinacionais alemãs estão na lista das 700 interessadas em construir barreira na fronteira entre EUA e México. Companhias se distanciam e criticam projeto do presidente americano.A Alemanha tem experiência com muros, e as lembranças não são boas. Isso poderia explicar por que apenas duas empresas alemãs, apesar da grande quantidade de multinacionais de construção no país, estão listadas entre as 700 interessadas em construir o muro proposto pelo presidente americano, Donald Trump, na fronteira entre EUA e México. As duas companhias já se distanciaram do principal projeto anti-imigração do presidente, esclarecendo que elas se registraram para serem atualizadas sobre a concorrência, mas não porque queriam participar do processo. A empresa Bauer AG – sediada na Baviera e que tem 110 filiais e aproximadamente 11 mil funcionários trabalhando em cerca de 70 países – reagiu com consternação a uma notícia publicada nesta quinta-feira (30/03) pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung, que mencionou a presença da companhia na lista. "O fato é que é normal nos EUA uma empresa entrar na lista de informações de concorrências. O que 700 empresas fizeram neste caso é a prática padrão", afirmou à DW Christopher Wolf, porta-voz da multinacional. "Não há esforços da Bauer para participar deste projeto." Wolf não se limitou a deixar um simples esclarecimento sobre as intenções da empresa. "Além disso, a Bauer rejeita completamente a retórica e a posição moral do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o tema construção de muros", acrescentou. Coletivo contra o projeto de Trump A outra empresa listada na lista é a Leupold Brown Goldbach, um escritório de arquitetura de Munique com uma filial nos arredores de Boston, nos EUA. Ela também foi mencionada pelo Süddeutsche Zeitung, e ficou preocupada com a possibilidade de suas intenções não ficarem claras na reportagem. "Nós não fizemos isso porque queremos fazer parte de um grande projeto nos EUA – muito pelo contrário", afirmou o sócio Andreas Leupold à DW. "Nós queríamos fazer parte do movimento de protesto contra este projeto." Leupold disse que ele vê sua empresa como parte do movimento "Alt-Wall" – um coletivo de artistas, intelectuais e arquitetos especificamente criado para expressar sua oposição ao projeto de Trump. "Existem soluções definitivamente melhores", diz Leupold. "E, de alguma forma, nós nos sentimos obrigados a contribuir com essa oposição." Leupold está também preocupado com o fato de que sua classe profissional tem estado "muito quieta" sobre os planos de Trump. "Este é um trabalho arquitetônico – é um projeto de construção monumental que supõe construir lá, e arquitetos não disseram realmente qualquer coisa sobre ele", afirmou. "É por isso que pensamos que [o Alt-Wall] seria uma boa plataforma para anunciar isso, e assim inspirar uma discussão mais ampla." Peso histórico É certamente notável que nenhuma empresa alemã sinalizou uma intenção de participar da licitação para construir o muro na fronteira com o México. No final de fevereiro, houve uma série de especulações da mídia quando Marcelino Fernández Verdes, presidente da Hochtief, uma das maiores multinacionais de construção da Alemanha, não descartou a participação da empresa na licitação do projeto. Mas, dias depois, a empresa divulgou um comunicado esclarecendo que a Hochtief "não tinha nenhum plano" de participar da concorrência. "Definitivamente, você não gozaria de uma boa reputação como uma empresa alemã. Na Alemanha, apenas a palavra 'muro' tem muito poder como símbolo", explica Leupold. "Talvez seja por isso que nenhuma participou ainda. Para nós, como escritório de arquitetura, nos perguntamos o que defendemos – queremos sempre ser abertos, transparentes, democráticos – e não uma divisão." O Departamento de Segurança Interna dos EUA publicou seu pedido de propostas para um "Muro de Fronteira de Concreto Sólido" no último dia 17 de março, afirmando que o muro de Trump deve ter ao menos 5,5 metros de altura e 3.110 quilômetros de comprimento na fronteira com o México, e ser impenetrável às tentativas de passar por cima ou debaixo. As empresas privadas interessadas serão convidadas a construir protótipos de cerca de 3 metros e, em seguida, fornecer mais detalhes sobre seus projetos em maio.

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