Ministro defende ideia de "cultura dominante" na Alemanha

Thomas de Maizière expõe plano para uma "Leitkultur", a ideia de estabelecer valores predominantes para o país. Para ministro do Interior, isso ajudaria migrantes a integrar-se; para críticos, isso limitaria a imigração.Em artigo publicado na edição do jornal alemão "Bild", deste domingo (30/04), o ministro do Interior em Berlim, Thomas de Maizière, expôs seu plano sobre a questão controversa de promover uma cultura dominante na Alemanha, dizendo querer iniciar um debate público sobre o assunto. Em sua contribuição ao jornal como convidado, De Maizière defendeu a ideia de promover uma cultura dominante na Alemanha, afirmando que o fortalecimento de valores definidos sob tal "Leitkultur" ("cultura dominante", "cultura guiadora") acabaria por criar uma tolerância maior no país. "Com minhas teses, pretendo fazer um convite para uma discussão sobre uma 'Leitkultur' para a Alemanha", escreveu o ministro no diário, afirmando ainda que quem se sentir seguro em sua própria cultura seria "forte". O mais importante, ressaltou De Maizière, é o respeito à dignidade humana. O ministro listou um total de dez pontos que, em sua opinião, fazem parte de uma "Leitkultur" alemã, como, por exemplo, hábitos sociais: na Alemanha, cumprimenta-se com um aperto de mãos; mostra-se o rosto e se diz o nome. "Nós não somos burca", salientou o político conservador. Pertencem também a essa "cultura dominante" o conhecimento geral, a meritocracia, o legado da história alemã com uma relação especial com Israel e a riqueza cultural. Críticos da ideia de "Leitkultur" argumentam, no entanto, que isso serviria, entre outros, para o propósito de limitar a imigração, ao rejeitar aqueles que não conseguirem se adaptar. Os opositores da ideia afirmam que essa procura por um núcleo de valores levaria, automaticamente, a choques culturais, com tal "cultura dominante" sendo tratada como inerentemente superior às culturas nativas dos migrantes. Nos últimos 15 anos, a questão da "Leitkultur" tem feito parte de um debate social e político na Alemanha. Defendida principalmente pelos partidos conservadores da União CDU/CSU (União Democrata Cristã/União Social Cristã), a ideia defende o ponto de vista de que os imigrantes na Alemanha devem se adaptar a um conjunto de valores estabelecidos. Outras legendas, como o Partido Verde ou o Partido Social-Democrata (SPD), rejeitam a proposta. Os comentários de De Maizière vêm em meio ao início da campanha eleitoral para as eleições legislativas previstas para setembro próximo na Alemanha. CA/dpa/kna/rtr

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