Merkel promete fazer frente a Trump em cúpula do G20

Chanceler federal alemã sinaliza determinação das maiores economias do mundo para combater mudanças climáticas e implementar Acordo de Paris, abandonado pelos EUA. Líder também critica protecionismo.As mudanças climáticas devem ser um dos temas centrais da cúpula do G20 a ser realizada na próxima semana em Hamburgo, na Alemanha, afirmou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, perante o Bundestag (Parlamento alemão) nesta quinta-feira (29/06). Do aguardado encontro agendado para os dias 7 e 8 de julho deve ser emitido um "sinal de determinação" sobretudo quanto à proteção do clima, disse. "Desde a decisão dos EUA de sair do Acordo de Paris, estamos mais determinados a conduzi-lo ao sucesso", garantiu Merkel. Ao mesmo tempo, ela espera que, tendo em vista recuo do presidente Donald Trump, as discussões sobre o assunto não serão fáceis. "Precisamos lidar com esse desafio existencial [imposto pelas mudanças climáticas] e não podemos esperar que todas as pessoas no mundo sejam convencidas das evidências científicas. Em outras palavras: o acordo do clima é irreversível e não é negociável", declarou. Segundo a chanceler federal, a comunidade global precisa "mais do que nunca" da cooperação entre as 20 maiores economias do mundo e também de países convidados, como Vietnã e Guiné, "pois nenhum país do mundo pode enfrentar os desafios atuais sozinho". Nesta quarta-feira, o governo brasileiro informou que o presidente Michel Temer decidiu não participar do encontro em Hamburgo. Protecionismo "não é solução" Diante de políticas isolacionistas – como por parte do governo dos EUA – relações multilaterais e, em particular, de comércio internacional precisam ser reforçadas, disse Merkel. A chanceler federal se mostrou convencida de que "o protecionismo não é a solução", embora muitas pessoas ainda não tenham se beneficiado das vantagens da globalização ou se sintam deixadas para trás. Segundo Merkel, o desafio global de deslocamento e migração também é de "imensa importância" na cúpula do G20. Causas de migração têm de ser combatidas nos países de origem, inclusive por meio do desenvolvimento sustentável e melhores oportunidades de emprego. No combate ao terrorismo, normas internacionais já acordadas, como acabar com a fonte de recursos de organizações extremistas e a cooperação intensiva entre autoridades de segurança, precisam ter sua implementação acelerada. Futuro da UE Em seu discurso, Merkel falou também sobre o futuro da União Europeia (UE). A chanceler federal afirmou que Alemanha e França assumirão um papel maior de liderança no bloco, e que a Europa precisa assumir um papel maior na liderança do mundo. Merkel argumentou que a UE está se recuperando de sua crise econômica, com os 27 Estados-membros restantes após o Brexit registrando crescimento econômico e queda no desemprego. A chanceler sugeriu também que o Reino Unido não está mais no centro dos planos europeus. "Nossa prioridade é preparar nosso futuro dentro da União Europeia, independentemente do Brexit", afirmou. Merkel também reiterou a necessidade, no contexto de tensões com os EUA, de a UE assumir mais responsabilidades. "A Europa não tem escolha senão assumir cada vez mais o destino em suas próprias mãos", disse. PV/dpa/rtr/dw

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