Trump rebate acusações de Porto Rico sobre ajuda após furacão

Prefeita da capital porto-riquenha faz pedido de socorro e diz que pessoas estão morrendo devido à "ineficiência" de Washington. Presidente dos EUA devolve a crítica, pondo a culpa na "liderança ruim" da ilha no Caribe.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebateu neste sábado (30/09) as críticas feitas por autoridades de Porto Rico sobre os esforços americanos de ajuda à ilha após a passagem do furacão Maria, há dez dias, matando 16 pessoas e deixando milhões sem água e sem energia no país.

Em uma série de mensagens publicadas no Twitter, Trump afirmou que as autoridades porto-riquenhas têm mostrado uma "capacidade ruim de liderança" e não estão fazendo a sua parte para a recuperação do território americano no Caribe.

"Eles querem que tudo seja feito por eles, quando deveria haver um esforço comunitário", disse o presidente, que passa o fim de semana em seu clube de golfe em Bedminster, em Nova Jersey.

Trump ainda exaltou os esforços dos EUA na região, afirmando que 10 mil trabalhadores federais estão agora ajudando a recuperar a ilha. "Os militares e socorristas, mesmo sem eletricidade, estradas, telefones, etc., fizeram um trabalho incrível. Porto Rico estava totalmente destruída", disse o presidente, que anunciou uma visita à ilha na próxima terça-feira.

Em mensagens seguintes, o republicano ainda acusou a "imprensa das notícias falsas" e os políticos democratas de impulsionarem as críticas contra os esforços americanos em Porto Rico. "[Eles] estão dando o seu melhor para tirar o espírito de nossos soldados e socorristas. Que vergonha", afirmou.

Mais tarde, em mensagem um tanto contraditória, Trump agradeceu a ajuda do governador de Porto Rico, Ricardo Rossello, descrevendo-o como um "ótimo líder que está realmente trabalhando duro".

As declarações de Trump vieram depois de a prefeita de San Juan, Carmen Yulín Cruz, ter acusado Washington de ineficiência e feito um pedido desesperado de ajuda ao governo federal. Cruz fui diretamente mencionada pelo presidente em suas mensagens no Twitter neste sábado.

Nesta sexta-feira, a prefeita da capital porto-riquenha implorou a Trump que ele "se certifique de que alguém esteja encarregado de exercer a tarefa de salvar vidas" na ilha caribenha. "Estamos morrendo, e você está nos matando com a sua ineficiência", afirmou Cruz em uma coletiva de imprensa.

"Eu estou implorando, implorando a qualquer pessoa que possa nos ouvir, que nos salve de morrer", acrescentou a prefeita, afirmando que "não há mais tempo para paciência". "Cansei de ser educada. Cansei de ser politicamente correta. Estou muito brava."

Em entrevista à emissora CNN também na sexta-feira, Cruz rebateu as declarações do governo americano que descreviam o progresso visto em Porto Rico como "boa notícia". "Não é uma boa notícia quando pessoas estão morrendo", afirmou a prefeita de San Juan, que vestia uma camisa com os dizeres: "Ajude-nos, estamos morrendo".

"Esta é uma história de devastação que continua piorando porque pessoas não têm acesso a água e comida. Quando não há comida para um bebê, não é uma boa notícia, me desculpe. Isso realmente me deixa chateada e incomodada", declarou Cruz à CNN.

Neste sábado, após as declarações de Trump, a prefeita reforçou no Twitter que "o objetivo agora é apenas um: salvar vidas". "Não podemos nos deixar distrair por mais nada."

A troca de farpas dos últimos dias ocorre na esteira das acusações de que o governo Trump não agiu rápido o suficiente para fornecer ajuda ao território americano no Caribe. Alguns observadores alegaram que Washington tem sido muito menos eficiente em Porto Rico do que foi nos estados americanos do Texas e da Flórida, também atingidos por furacões.

Na terça-feira passada, após as acusações, o governo americano prometeu enviar navios e tropas adicionais a Porto Rico e afirmou que as Forças Armadas dos EUA e todas as agências relevantes estão sob ordens para fazer "tudo que estiver ao seu alcance" para ajudar a ilha no Caribe.

O furacão Maria chegou ao território de Porto Rico em 20 de setembro passado com ventos de 250 quilômetros por hora. Dez dias depois, mais da metade das 3,4 milhões de pessoas que moram na ilha segue sem acesso a água potável, e 95% permanecem sem energia, segundo o Pentágono.

EK/ap/dpa/efe/lusa/rtr/ots

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