Atriz Annabella Sciorra acusa Weinstein de estupro

Estrela da série "Família Soprano" e atriz Darryl Hannah relatam abusos, em reportagem da revista "The New Yorker". Mais de 50 mulheres, incluindo Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow, já denunciaram ataques do produtor.A atriz ítalo-americana Annabella Sciorra acusou Harvey Weinstein de estupro na década de 1990 e de assédio nos anos posteriores, informou neste sábado (28/10) a revista The New Yorker, que ajudou a revelar o histórico de agressões sexuais do produtor.

Em um artigo que traz novas repercussões sobre o escândalo Weinstein, revelado em reportagens do jornal The New York Times e da The New Yorker, a atriz da série Família Soprano se uniu às mulheres que se declararam vítimas do produtor de Hollywood. Mais de 50 mulheres, incluindo as atrizes Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow, vieram a público neste mês acusando Weinstein de ofensas que vão de assédio sexual a estupro.

Sciorra contou que Weinstein a atacou na casa dela no começo dos anos 90 e continuou a assediá-la sexualmente nos anos seguintes. Ela conta ter ficado tão aterrorizada com Weinstein que dorme com um bastão de baseball ao lado da cama.

Ao ser consultada inicialmente pela The New Yorker para uma primeira reportagem – na qual 13 mulheres acusaram Weinstein de assédio e a atriz Asia Argento revelou ter sido estuprada pelo produtor –, Sciorra negou ter acusações contra Harvey, mas, duas semanas depois, fez contato com a publicação.

Relatos de colegas

Ela disse que o "estopim" para falar sobre sua experiência foi ter conhecido as histórias contadas por outras mulheres.

A atriz explicou que, depois de filmar A Noite que Nunca Nos Encontramos (1993), entrou em uma dinâmica de eventos com o "círculo da Miramax", o estúdio fundado por Weinstein, e depois de um jantar com ele, o produtor se ofereceu para deixá-la em casa, como tinha feito em outras ocasiões.

Uma vez que estava em seu apartamento e preparada para dormir, alguém bateu em sua porta. "Não era muito tarde, e fui verificar quem era. E ele (Weinstein) abriu a porta com um empurrão", lembrou a atriz.

De acordo com Sciorra, o produtor entrou em sua casa e começou a desabotoar sua camisa enquanto inspecionava se havia mais alguém. A atriz, que estava só e de camisola, afirmou que Weinstein a encurralou em seu quarto, ignorou seus pedidos para que saísse dali e a jogou sobre a cama.

"Chutei e gritei", declarou a atriz, que acusou Weinstein de segurar seus braços e forçá-la sexualmente. De maneira similar ao depoimento da atriz Asia Argento, Sciorra afirmou que o produtor praticou sexo oral forçado nela e que lutou para evitá-lo, mas lhe "restava pouca força".

A atriz, que não denunciou o produtor à polícia, acrescentou que sofreu o impacto da "maquinaria Harvey" em sua vida, já que não voltou a trabalhar até 1995 e, anos depois, quando retomou sua carreira, voltou a ser alvo de assédio do produtor ao encontrá-lo em hotéis em diferentes eventos.

Daryl Hannah

O artigo também inclui uma acusação de assédio de Weinstein contra a atriz americana Daryl Hannah, que detalhou que nos anos 2000, enquanto promovia Kill Bill: Volume 2, o produtor entrou em seu quarto, do qual, aparentemente, tinha uma chave.

"Entrou como um touro enfurecido. Sei que se meu maquiador não estivesse no quarto, as coisas não teriam ido bem", afirmou Hannah à revista. Antes de ir embora, Weinstein disse a Hannah que se vestisse e fosse para uma festa no hotel, mas, assim que ela chegou, a recepção estava "completamente vazia".

Quando Hannah se dirigiu ao elevador para voltar a seu quarto, o produtor supostamente lhe perguntou se seus seios eram "reais" e se ele poderia tocá-los. Após rejeitar a investida de Weinstein, a atriz disse que sofreu "repercussões": o avião da Miramax decolou sem ela no dia seguinte, e seus voos e reservas de hotel para Cannes foram cancelados.

A porta-voz de Weinstein enviou uma declaração à revista em resposta às alegações de Sciorra e Hannah, seguindo a mesma linha das anteriores: "O senhor Weinstein nega inequivocamente quaisquer acusações de sexo não consensual".

MD/dpa/efe

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