Opinião: Theresa May demonstra fraqueza em Bruxelas

Barbara Wesel (fc)

Até agora, Reino Unido fez quase tudo errado nas negociações do Brexit. Premiê é fraca demais para alcançar um acordo credível, e Bruxelas pode apenas sentar e assistir ao fracasso, opina a jornalista Barbara Wesel.Como uma chefe de governo pode demonstrar sua fraqueza tão abertamente perante o mundo? O que Theresa May pensou quando foi a Bruxelas com um rascunho no bolso sem tê-lo analisado antes com os apoiadores do seu governo de minoria, o Partido Unionista Democrático (DUP) da Irlanda do Norte? Ela conhece a legenda e suas posições extremamente duras sobre a questão das fronteiras entre as duas Irlandas. Se May pudesse ter um mínimo de sensatez e experiência política, ela e seus interlocutores não teriam sido expostos ao constrangimento em Bruxelas de serem censurados pela chefe do DUP, Arlene Forster, durante o almoço.

O acordo sobre a questão irlandesa tropeçou na formulação pomposa de seu texto: após o Brexit, eles queriam uma "aproximação das regras" da Irlanda do Norte com aquelas da república ao lado. Essa seria praticamente a única maneira de resolver o problema irlandês. A Irlanda do Norte deve permanecer próxima à legislação da União Europeia, caso contrário, não poderão ser mantidas as fronteiras abertas e a vida comum em ambos os lados. Todo o resto é logicamente impossível.

Os meses frustrantes e infrutíferos das negociações do Brexit até o momento deveriam ter despertado uma constatação do lado britânico na mesa de negociações: não há soluções com a União Europeia nas quais Londres pode comer todo o bolo e, ao mesmo tempo, mantê-lo. Quando eles sairem do bloco europeu, pagarão um preço substancial por isso. Isso vale para a união aduaneira, mercado único, capitais europeias da cultura e tráfego aéreo: em todos os lugares, a regra diz que ficar de fora é pior do que dentro. E isso também vale para a Irlanda. Se quiserem obter a paz prevista no Acordo de Sexta-feira Santa, isso terá um preço político para o Reino Unido.

Sua própria arrogância levou os britânicos à decadência. Eles acreditavam que não precisavam levar a sério a pequena Irlanda – como, antigamente, nos tempos do império. Mais isso é um erro fatal. A Irlanda já não é mais uma colônia fraca, tem o poder e o apoio de toda a União Europeia. E isso não inclui apenas as instituições em Bruxelas, mas também os Estados-membros. Todo mundo tem simpatia pelo pequeno país que outro maior simplesmente quer espezinhar.

Agora, é uma grande ironia da história que, pela primeira vez em séculos, a Irlanda esteja em uma posição mais forte que o Reino Unido. Com razão, o governo em Dublin não confia nas nebulosas propostas dos britânicos em referência à forma da futura fronteira externa da União Europeia no meio da ilha irlandesa. De qualquer modo, a Comissão em Bruxelas havia considerado uma fantasia a conversa vaga de David Davis sobre uma fronteira invisível, que de alguma forma seria vigiada por computadores.

Londres, mais uma vez, enfrentou a dura realidade do Brexit. A saída da União Europeia não é um mar de rosas. Os pró-Brexit não contaram aos seus apoiadores que pagariam um alto preço por sua crença cega na propaganda de Boris Johnson e companhia.

Com o Brexit, May tem uma história de reviravolta por trás de si. Ela teve que aumentar sua oferta de zero para cerca de 60 bilhões de euros e teve que aceitar que um acordo de transição após 2019 será possível somente nas condições atuais de filiação ao bloco. E ela tem que reconhecer que não há livre circulação de bens e serviços sem que o Reino Unido permaneça na união aduaneira e no mercado interno. São simplesmente impossíveis um acordo especial ambicioso e uma relação especial com a Europa com os quais May e seus ministros sonham.

No entanto, as negociações em Bruxelas se deterioram mais do que as ilusões dos pró-Brexit: May e seus negociadores perdem a credibilidade de seu país, assim como a amizade que há décadas cresceu entre o continente europeu e os britânicos. O sórdido comportamento em relação aos cidadãos da União Europeia no Reino Unido, que agora são intimidados com decisões de deportação injustificadas, suscita raiva contra o governo britânico. E o ódio que alguns britânicos mostram agora em relação aos migrantes destrói a amizade entre os seres humanos.

No entanto, sem um mínimo de confiança, as negociações do Brexit estão condenadas ao fracasso. Até agora, Londres fez quase tudo errado, e há pouca esperança de uma mudança, especialmente num momento em que May parece fraca para impor uma solução mínima razoável. Mas quem sabe? Talvez ela caia em breve, novas eleições sejam realizadas, e o Brexit seja novamente rejeitado – tudo parece ser possível em Londres. A União Europeia pode apenas sentar, defender seus princípios e esperar.

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