Imigrantes e latinos tornam-se cada vez mais decisivos nas eleições dos EUA

Alfonso Fernández.

Washington, 29 jan (EFE).- A imigração e o crescente peso demográfico dos latinos se transformaram em dois dos principais temas da campanha eleitoral nos Estados Unidos, especialmente nos chamados 'swing states' - estados sem tendência política definida - como Nevada, razão pela qual podem acabar definindo o resultado final.

Desde que o pré-candidato do Partido Republicano Donald Trump levantou polêmica com sua proposta de construir um muro entre o México e os EUA e deportar todos os imigrantes ilegais do país vizinho, que os cálculos indicam já ter superado o patamar de 11 milhões, a questão migratória se tornou um dos campos de batalha eleitoral.

Apesar de algumas críticas, a ideia de Trump recebeu respaldo geral entre os republicanos, onde consideram que é preciso reforçar a segurança de fronteiras antes de encarar a reforma do sistema migratório.

Os ataques nos debates republicanos se concentraram neste tema sobre o senador Marco Rubio, que defendeu então uma proposta que abria um caminho à cidadania para os imigrantes ilegais que foi tão criticada por sua suposta falta de consistência que ele acabou voltando atrás.

Pouco depois, a questão adquiriu renovada intensidade com o atentado em San Bernardino, na Califórnia, em dezembro do ano passado. Na ocasião, um americano de origem paquistanesa e sua esposa saudita mataram 14 pessoas a tiros após terem jurado lealdade ao grupo Estado Islâmico (EI).

Trump, que lidera as intenções de voto nas pesquisas para as primárias republicanas, aproveitou a ocasião para destacar a importância da revisão do sistema de vistos e proibir a entrada dos muçulmanos nos EUA.

Por sua vez, os principais pré-candidatos do Partido Democrata, o senador Bernie Sanders e a ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, mostraram posturas mais favoráveis à reintegração dos imigrantes ilegais que já estão estabelecidos no país e contra as deportações em massa propostas por Trump e outros republicanos.

Nos últimos anos, o ciclo das eleições americanas, especialmente no Partido Republicano, está marcado pela guinada rumo a posições radicais em busca do voto de base nas primárias conservadoras e uma moderação posterior, uma vez conseguida a indicação, para seduzir uma sociedade cada vez mais diversa.

Os dados demográficos são indiscutíveis. Como exemplo, o número de latinos nos EUA alcançará neste ano 58,1 milhões de habitantes, frente aos 55,4 milhões de apenas dois anos atrás, segundo dados do Censo dos EUA.

Em paralelo, sua proporção dentro do eleitorado também aumentou: neste ano será de 13% do total, dois pontos percentuais a mais do que em 2012.

Diante desta tendência, todos os analistas políticos consideram que a vitória do presidente democrata Barack Obama, tanto em 2008 como em 2012, se baseou em grande parte em conseguir os votos dos latinos - acima de 70% - contra candidatos republicanos como John McCain e Mitt Romney.

Um caso determinante pode ser o de Nevada, um estado no qual George W. Bush levou a melhor em 2004 na última vitória republicana nas eleições presidenciais, e que deve ser decisivo em 2016.

Neste estado, a porcentagem de voto latino passará dos 19,1% que representava em 2012 para 21,2% neste ano.

"Nevada é um microcosmos do que está ocorrendo nos EUA", explicou David Damore, professor de ciências políticas da Universidade de Las Vegas e pesquisador do instituto Latino Decisions.

Damore apontou que pré-candidatos republicanos como Jeb Bush e Marco Rubio começaram a investir no estado devido a seu mais que provável peso decisivo, e os comparou com Romney, que não contratou pessoal de campanha em Nevada até o final da campanha de 2012.

"Sem o significativo apoio dos eleitores latinos tanto em nível nacional como em muitos dos swing states, os republicanos encaram uma batalha complicada em 2016", acrescentou, ao citar também os casos parecidos do Colorado e do Novo México.

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