Presidente islandês nega dissolução do Parlamento em meio a denúncias envolvendo premiê

Em Berlim

  • Stigtryggur Johannsson/Reuters

O primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, envolvido nos Panama Papers por ter tido uma empresa em um paraíso fiscal, pediu nesta terça-feira a dissolução do Parlamento, mas sua proposta foi rejeitada pelo presidente do país, Ólafur Ragnar Grímsson.

De acordo com a imprensa local, Grímsson rejeitou o pedido do primeiro-ministro por ainda não ter consultado seu parceiro de coalizão no governo, o Partido da Independência.

Jornais do país especulam a possibilidade de que sejam abertas consultas para a formação de uma nova aliança governista ou que eleições antecipadas sejam convocadas.

Mais de 10 mil pessoas se manifestaram ontem no centro de Reykjavík para pedir a renúncia de Gunnlaugsson, líder do Partido Progressista, após seu nome ser um dos que apareceram nos milhões de documentos da empresa panamenha Mossack Fonseca divulgados no domingo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ).

Em paralelo, as quatro forças da oposição solicitaram formalmente um voto de censura contra o chefe do governo, mas ainda não foi definida a data para isso acontecer.

Ontem também, Gunnlaugsson disse a um canal de TV local que está determinado a continuar a frente do governo e apostou por concluir a legislatura para que os eleitores mostrem seu parecer no próximo pleito, previsto para 2017.

Conforme os documentos divulgados, Gunnlaugsson e sua esposa, Sigurlaug Pálsdóttir, eram donos de uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas chamada Wintris. Lá foram depositados quase US$ 4 milhões em títulos nos três principais bancos islandeses que entraram em colapso na crise de 2008.

Gunnlaugsson entrou no parlamento islandês em 2009 e no final daquele ano vendeu sua metade de participação na Wintris a sua esposa por US$ 1. O primeiro-ministro sustentou que em nenhum momento ele ou sua mulher fizeram uso dessa empresa para evitar pagar impostos na Islândia.

Ele chegou ao cargo em 2013, com o apoio do Partido da Independência, cujo líder, Bjarni Benediktsson, atual ministro das Finanças, também aparece nos Panama Papaers.

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