Índia e Paquistão darão últimos passos para adesão à SCO em Tashkent

Moscou, 23 jun (EFE).- Os líderes da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), integrada por Rússia, China, Cazaquistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, começaram nesta quinta-feira uma cúpula em Tashkent na qual a Índia e Paquistão deram os últimos passos para sua adesão.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, viajou hoje à capital uzbeque, onde começou à noite, com um jantar informal, o encontro anual dos dirigentes deste bloco russo-asiático focado na cooperação econômica e de segurança, que terminará amanhã.

Em Tashkent também está o presidente da China, Xi Jinping, e os dois líderes tiveram à noite uma curta reunião bilateral após o jantar, prévia à cúpula oficial que acontecerá no sábado em Pequim, segundo o assessor presidencial de Putin, Yuri Ushakov.

Também estão presentes o primeiro-ministro da Índia e o presidente do Paquistão, Narendra Modi e Mamnoon Hussain, respectivamente, que além de participarem da cúpula terão encontros bilaterais com outros líderes.

Os líderes dos dois países nucleares vizinhos e rivais chegam à reunião para assinar o "Memorando de obrigações" da SCO, um passo importante para se transformarem em membros plenos do bloco, do qual agora são observadores.

Neste memorando são definidas as condições de participação de Índia e Paquistão na formação do orçamento global da organização, suas cotas nos órgãos permanentes e outros aspectos.

Foi na última cúpula de julho de 2015, na cidade de Ufa, na Rússia, onde foi dado "sinal verde" para o início do processo de integração de Índia e Paquistão, um avanço que foi considerado "histórico" pelos líderes.

No entanto, segundo Ushakov, a adesão final só vai acontecer no próximo ano, na cúpula de Astana, no Cazaquistão.

"Tal como esperamos, na próxima cúpula, que será realizada no Cazaquistão, a Índia e o Paquistão serão admitidos definitivamente como membros", afirmou o assessor de Putin.

Mas no encontro deste ano pode ocorrer outra passagem de enorme significação se, como defende Moscou, for aberta também a porta para que o Irã inicie o processo de integração.

A república islâmica, que atualmente tem o status de observadora, também solicitou sua entrada e, na cúpula passada, os líderes elogiaram esse desejo, mas o vincularam ao sucesso das negociações sobre o programa nuclear iraniano e o fim das sanções internacionais a Teerã.

A Rússia considera que, depois do acordo alcançado poucos dias depois dessa cúpula - em 14 de julho de 2015 - entre o Irã e seis grandes potências internacionais para limitar o programa nuclear iraniano em troca da suspensão das sanções, não há mais motivo para impedir esse passo.

"Após o Irã sair do regime de sanções da ONU, a Rússia considera que não há nenhuma base para impedir a entrada deste país na SCO", afirmou Ushakov, que acrescentou que esta questão será abordada em Tashkent.

Paralelamente à cúpula, os líderes vão ter alguns encontros bilaterais. Putin, além da reunião com Xi, terá encontros, entre outros, com o primeiro-ministro da Índia, que por sua vez se reunirá também com o líder chinês.

Segundo fontes indianas, Modi tentará conseguir o apoio da China a sua adesão ao Grupo de Países Provedores Nucleares, que realiza uma reunião em Seul nos próximos dias.

A China é considerada o maior oponente à entrada de Índia nesse Grupo, que foi fundado em 1975 e é integrado por 48 países fornecedores nucleares com capacidade de exportação.

Seu objetivo principal é contribuir para a não-proliferação de armas nucleares, por meio da aplicação de diretrizes de exportação de produtos nucleares.

A Rússia, por sua vez, respalda a intenção da Índia de se integrar.

A cúpula tem a presença de todos os líderes dos países-membros, entre eles o cazaque, Nursultan Nazarbayev, e o do Quirguistão, Almazbek Atambayev, apesar de neste ano terem acontecido tensões na fronteira entre os dois países.

Entre os assuntos a serem tratados estão o desenvolvimento da cooperação nos campos da segurança, da luta contra o terrorismo e da economia, e espera-se a assinatura de diversos documentos.

Outros três países, Belarus, Mongólia e Afeganistão, participam também como observadores deste bloco regional.

O Uzbequistão fechou, por motivos de segurança e até o próximo dia 25, suas fronteiras com Quirguistão, Tadjiquistão, Cazaquistão e Turcomenistão.

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