Unasul afirma que migração não deve ser vista como problema na região

São Paulo, 10 jul (EFE).- O secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, afirmou neste domingo que a migração não deve ser vista como um problema, e ainda menos na região que tem um número menor de imigrantes que o de outras áreas do mundo.

"O problema das migrações na América do Sul é manejável com relação a outros países, a porcentagem não passa de 1,5% e no resto do mundo está chegando a 5% da população", declarou Samper à Agência Efe após o encerramento do Fórum Social Mundial de Migrações, que debateu o assunto durante quatro dias.

"Não gosto de falar de problema de emigrantes, porque o primeiro problema é que o consideremos um problema. Temos que fazer com que estes emigrantes sejam reconhecidos como cidadãos com todos seus direitos em todas as partes do mundo", enfatizou Samper.

"Não pode ser que estejamos falando em processo de globalização, para pedir que haja livre circulação de bens de capital, de tecnologia e de investimentos, mas as únicas que não podem circular são as pessoas. Me parece que essa é uma das grandes contradições éticas da globalização", acrescentou.

O ex-presidente colombiano citou como exemplo a saída do Reino Unido da União Europeia, no processo conhecido como 'Brexit'.

Segundo Samper, a Grã-Bretanha, como potência, "se construiu com tudo o que trouxe dos países que colonizou e agora está rejeitando a presença das pessoas que de alguma maneira tornaram possível seu engrandecimento militar e econômico".

Nesse sentido, o advogado e economista ressaltou que "o que estamos fazendo na Unasul é o projeto 'Cidadania Sul-Americana', que consiste simplesmente em garantir que os 430 milhões de sul-americanos que vivem nestes 17 milhões e meio de quilômetros quadrados possam circular livremente dentro da região".

"Que possam estudar em qualquer parte e que seus títulos profissionais sejam reconhecidos. Inclusive que possam votar e ser eleitos e possam viver e trabalhar em um lugar e desfrutar sua pensão em outro. É um tema mais profundo do que pode ser a mobilidade das pessoas", comentou.

Frente à crescente imigração de sírios, em países como Brasil e Uruguai, e de haitianos no Equador, Peru e também no território brasileiro, Samper disse que "todos têm que receber amparada e não se deve distribui-los pela região".

O secretário-geral da Unasul afirmou também que, além da chegada de sírios e haitianos nos últimos meses, a região convive com a "migração forçosa de colombianos, deslocados pela violência, e que com status de asilados e refugiados" estão presentes no Equador e na Venezuela, com 400.000 e 800.000 pessoas respectivamente.

No fórum, além de Samper, participaram acadêmicos, ativistas, diplomatas e especialistas de termas migratórios de diversos países, entre eles Aida García Naranjo, a primeira-ministra das Mulheres do Peru e ex-embaixadora desse país no Uruguai e perante organismos como o Mercosul.

Por sua vez, o prefeito de Gao, Sadou Harouna Diallo, falou sobre sua experiência nessa cidade do Mali e que é um dos pontos de maior trânsito de emigrantes africanos.

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