Análise: Votação pitoresca e patriótica marca nomeação de Trump

Cristina García Casado

Cleveland (Ohio)

Trump é oficializado candidato republicano à presidência dos EUA

O multimilionário Donald Trump foi nomeado nesta terça-feira como candidato republicano à presidência dos Estados Unidos em uma votação pitoresca e patriótica, sem a revolta dos delegados dissidentes que na última segunda-feira fracassaram em sua tentativa de mudar as normas da Convenção Republicana em Cleveland (Ohio).

A votação, que durou cerca de duas horas, seguiu esse roteiro estabelecido e selado no imaginário coletivo em séries políticas americanas como "Nos Bastidores do Poder" ou "House of Cards", embora em lugar dos nomes de Matt Santos ou Frank Underwood os gritos ensurdecedores eram aqui de "Queremos Trump!".

Por ordem alfabética, do Alabama a Wyoming, os 50 estados, o Distrito de Columbia e os territórios americanos anunciaram seus votos com a espetacularidade própria de uma convenção política nos EUA.

"Viemos de Idaho, onde temos as famosas batatas"; "Somos a Flórida, o paraíso onde você vai de férias e nós moramos"; "Somos Kentucky, onde as pessoas ainda respeitam a Deus, a Constituição, as Forças Armadas e seus policiais", foram algumas das mais aplaudidas.

Entre os 2.472 delegados com direito a voto, os mais fáceis de identificar desde qualquer ponto do Quicken Loans, templo de LeBron James e os Cavaliers (atuais campeões da NBA), são os do Texas, uniformizados com seu inconfundível chapéu de 'cowboy', a camisa com a estrela solitária de sua bandeira, 'calça jeans' e botas de vaqueiro.

O grupo de Michigan teve um gesto muito aplaudido com o estado anfitrião, Ohio, ao vestir camisetas esportes de cor vermelha similares à do popular time local de futebol americano Ohio State.

A aparição mais surpreendente foi a do ex-diretor de campanha demitido por Trump, Corey Lewandowski, que anunciou os votos de Nova Hampshire com paixão e se referiu ao magnata como "meu amigo".

Também chamou a atenção que a primeira governadora latino-americana do país, Susana Martínez (Novo México), falasse no plenário e apresentasse ao delegado mais jovem de seu grupo, encarregado de anunciar os votos, depois dos desencontros que teve com o magnata.

Por Nova Jersey, foi o filho do governador Chris Christie, fiel escudeiro de Trump, o encarregado de anunciar com visível emoção os votos para "o próximo presidente dos EUA".

Outra cara conhecida foi a do governador de Wisconsin, Scott Walker, promessa fracassada das primárias e encarregado hoje de anunciar os votos de seu estado para seu ex-rival Donald Trump.

Mas sem dúvida o momento mais emocionante foi quando os quatro filhos adultos de Donald Trump anunciaram os votos de Nova York, estado natal do magnata e que hoje lhe deu apoio para superar a barreira dos 1.237 delegados que lhe transformaram no candidato do Partido Republicano à Casa Branca.

Em seguida, o local se transformou em uma festa, onde milhares de delegados, convidados e inclusive algum jornalista contagiado pela emoção do momento dançaram a mítica "New York, New York", popularizada por Frank Sinatra.

Um broche de ouro, a cor do que se impregnaram todas as telas, para um momento que muitos nos EUA - e no resto do mundo - nunca pensaram que poderia chegar: o incendiário multimilionário e novato na política Donald Trump é candidato do Partido Republicano à presidência.

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