"Brexit" poderia ser adiado para "fim de 2019", diz jornal britânico

Em Dublin

  • Niklas Halle'n/AFP Photo

O Reino Unido poderia permanecer na UE (União Europeia) até o "fim de 2019", quase um ano a mais do que o previsto pelo governo britânico, estampa o jornal "The Sunday Times" neste domingo (14).

O Executivo da primeira-ministra britânica, a conservadora Theresa May, se prepara para ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que estabelece um período legal de dois anos para organizar com o bloco os termos deste divórcio.

O governo já indicou publicamente que não tem a intenção de lançar esse processo até o fim deste ano ou início do ano que vem, o que fixaria a data de saída para princípios de 2019.

No texto, o "The Sunday Times" diz que alguns ministros em importantes cargos comunicaram a membros que não estarão prontos para iniciar as conversas nas datas previstas. Entre outros aspectos, o jornal cita as dificuldades no departamento do "Brexit", uma unidade criada por May para dirigir as negociações com Bruxelas e que está sob o controle David Davis.

Este departamento tem ainda Liam Fox, o ministro do Comércio Internacional, que tem a tarefa de encontrar parceiros comerciais globais para seu país após a saída do Reino Unido da UE, e o titular de Relações Exteriores, Boris Johnson.

Segundo o jornal, o Executivo poderia atrasar a ativação do artigo 50 até conhecer o resultado das eleições gerais na França, previstas para maio do ano que vem, e na Alemanha, marcadas para setembro.

"Não se pode negociar quando não se sabe com quem se vai negociar", explica uma fonte do governo à publicação.

A possibilidade de o "Brexit" atrasar mais do que anunciado poderia "irritar" a "ala dura" dos "deputados conservadores" e parte do eleitorado que votou a favor da saída no referendo de 23 de junho.

O eurodeputado Nigel Farage, ex-líder do partido UKIP, disse que a falta de progressos poderia paralisar a tomada de decisões em quesito imigração, uma das questões-chave para que o eleitorado britânico dissesse "não" à UE na consulta.

Farage sustentou que existe um "perigo real" que milhares de jovens se radicalizem e se unam a organizações extremistas se entenderem que o governo ignora a decisão tomada nas urnas.

"Alguns ministros acham agora que a ativação (do artigo 50) poderia atrasar até 2017. Não existe infraestrutura para contratar pessoas. Não sabem sequer quais são as questões que devem abordar quando finalmente começarem a negociar com a Europa", indica ao "The Times" outra fonte do governo, que classifica a situação nos novos departamentos criados por May de "caótica".

Um porta-voz da primeira-ministra lembrou que ela "deixou claro" que a "prioridade de seu governo" é respeitar a decisão adotada pelo eleitorado e garantir que o "Brexit será um sucesso".

Milhares de pessoas protestam contra o Brexit em Londres

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