Evo Morales afirma que evitou outro "golpe de Estado" na Bolívia

La Paz, 27 ago (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou neste sábado que voltou a derrotar "um golpe de Estado", desta vez supostamente planejado pelos mineradores que protagonizaram o conflito que se saldou com o linchamento de um vice-ministro e a morte de três manifestantes por disparos de armas de fogo.

"Outra vez, o governo nacional derrotou um golpe de Estado. Disso estou convencido", disse o presidente em uma declaração aos veículos de comunicação na cidade de Cochabamba, na qual se referiu aos violentos enfrentamentos ocorridos nesta semana na Bolívia.

Morales acrescentou que os mineradores tinham planejado resistir muitos dias nos lugares onde bloqueavam as estradas e que foram confiscados documentos nos escritórios sob intervenção das cooperativas mineradoras que falam em "tombar o governo".

O presidente boliviano reiterou que o protesto tinha um objetivo político e não de reivindicação social como alegavam os líderes da Federação Nacional de Cooperativas Mineradoras (Fencomin), que iniciaram os bloqueios para rejeitar uma lei promulgada pelo governo.

Em outras ocasiões, Morales denunciou conspirações para derrubá-lo, sobretudo quando enfrentou protestos de diferentes setores sociais, inclusive de alguns que antes eram seus aliados.

Os cooperativistas mineradores que protagonizaram o conflito desta semana também tinham uma aliança política com Morales.

O vice-ministro de Regime Interior, Rodolfo Illanes, foi assassinado na quinta-feira após ser torturado durante várias horas pelos mineradores que o sequestraram no mesmo dia em se apresentou a um dos bloqueios com a intenção de dialogar sobre o conflito.

Segundo o relatório de autópsia, Illanes morreu em decorrência de múltiplos golpes após sofrer tortura entre seis e sete horas.

Além disso, morreram os mineiros Severino Ichota, Fermín Mamani e Rubén Aparaya Pillco por disparos de arma de fogo durante os enfrentamentos contra a polícia nos diferentes bloqueios.

Em entrevista coletiva em La Paz, o ministro de Governo, Carlos Romero, também se referiu à hipótese de conspiração divulgada por Morales em Cochabamba.

"Este era um movimento altamente conspiratório, um movimento político e um movimento que estava dirigido, no mínimo, a desestabilizar o governo", disse o ministro.

Segundo Romero, os mineradores planejaram durante muitos meses seus protestos com uma "estratégia militar", o que se deduz pela descoberta em uma serrania de vários depósitos de explosivos.

"Havia um arsenal impressionante de dinamite, explosivos, de substâncias dirigidas a gerar baixas e mortes", detalhou.

Por fim, o ministro disse que não dará mais informação sobre esta denúncia para deixar que as investigações da Procuradoria Geral "falem por si sós".

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