Jornal denuncia que imobiliária da família de Trump discriminou negros

Nova York, 27 ago (EFE).- A empresa da família de Donald Trump, na qual o candidato à presidência dos Estados Unidos começou sua carreira, discriminou durante anos pessoas de raça negra na hora de alugar apartamentos, segundo uma investigação publicada neste sábado pelo jornal "The New York Times".

A empresa fundada pelo pai do magnata nova-iorquino, Fred Trump, foi acusada repetidamente de negar contratos de aluguéis a pessoas e famílias negras durante os anos 1960 e o início dos 1970, segundo lembra o jornal.

Na investigação, o "NYT" inclui testemunhos de pessoas que a imobiliária supostamente discriminou por sua raça, tanto em Nova York como em outros pontos dos Estados Unidos.

Entre estes se destaca o caso de Maxine Brown, uma enfermeira negra que em 1963 tentou alugar um apartamento em um dos complexos erguidos pelos Trump no distrito nova-iorquino de Queens.

Sua solicitação foi rejeitada por instrução direta de Fred Trump, assegurou ao jornal o então agente imobiliário do edifício, Stanley Leibowitz, que agora tem 88 anos.

Brown finalmente conseguiu um apartamento naquele complexo após apresentar uma queixa perante a comissão municipal de direitos humanos e foi, durante dez anos, a única residente negra do edifício Wilshire, acrescentou Leibowitz.

Segundo o "New York Times", durante esses anos, várias organizações documentaram repetidos episódios de discriminação racial nas propriedades administradas pelos Trump.

Em 1967, uma investigação das autoridades verificou que dos cerca de 3.700 apartamentos do complexo Trump Village, apenas sete estavam ocupados por famílias negras.

Finalmente em 1973, com Donald Trump já ocupando um papel destacado na empresa, a Trump Management e o próprio magnata foram levados perante os tribunais pelas autoridades de Nova York acusados de violar as normas contra a discriminação no mercado imobiliário.

Após uma batalha legal de dois anos, os Trump finalmente aceitaram um acordo no qual, apesar de não admitir culpa alguma, se comprometiam com toda uma série de medidas para evitar a segregação racial em suas propriedades.

O candidato republicano negou sempre conhecer a existência de casos de discriminação nos negócios de sua família e, desde que nos anos 80 centrou seu negócio imobiliário no mercado do luxo, não voltaram a surgir acusações.

A investigação do "New York Times" é divulgada exatamente em um momento no qual Trump tenta melhorar sua imagem entre as minorias, sobretudo latinos e negros, que segundo as pesquisas apoiam majoritariamente sua rival democrata, Hillary Clinton.

Precisamente hoje Trump afirmou que os negros votarão nele nas eleições de novembro devido a incidentes como o assassinato a tiros da prima da estrela do basquete Dwyane Wade enquanto passeava com seu bebê em Chicago.

"A prima de Dwayne Wade foi atingida enquanto passeava com seu bebê em Chicago. Exatamente o que estive dizendo. Os afro-americanos votarão em Trump!", escreveu hoje o magnata nova-iorquino em sua ativa conta no Twitter.

Trump considera que este fato lhe dá razão na descrição que fez nos últimos dias sobre como vivem os negros nos Estados Unidos: "Pobreza. Rejeição. Uma educação horrível. Sem casas, sem posses. Níveis de criminalidade que ninguém viu", disse esta semana em um comício.

"Vocês podem ir a zonas de guerra em países nos quais estamos lutando e é mais seguro que os bairros de minorias administrados pelos democratas", acrescentou.

Com este argumento, Trump estimulou aos negros, entre os quais tem menos de 10% dos apoios nas pesquisas, e aos latinos, outro eleitorado que resiste a seu nome, para que votem por ele porque "O que diabos têm a perder?.

A campanha da candidata democrata, Hillary Clinton, reagiu em seguida com um vídeo no qual respondia a essa pergunta: "Tudo".

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