Bombardeios seguem intensos no norte da Síria e feridos ficam sem atendimento

Cairo, 25 set (EFE).- Aviões e helicópteros militares sírios e russos continuaram bombardeando intensamente neste domingo a cidade de Aleppo, no norte da Síria, onde os feridos não podem ser atendidos nem os sobreviventes resgatados por falta de meios para isto.

Pelo menos 25 pessoas morreram em ataques realizados por helicópteros do exército sírio e aviões de guerra sírios e russos sobre os bairros de Aleppo controlados pelos opositores, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Esta ONG, que dispõe de uma ampla rede de ativistas no terreno, destacou que há muitas pessoas presas sob os escombros dos edifícios que foram atingidos pelos bombardeios, que foram retomados hoje após algumas horas de pausa durante a madrugada.

O diretor da rede de notícias local "Shahba", Mamun al Khatib, elevou para 66 o número de mortos e disse à Agência Efe que as forças aéreas da Síria e da Rússia lançaram barris com explosivos sobre os bairros de Al Ansari, Bustan al Basha, Al Shaar, Al Maisar e Al Salhin.

"Há cerca de 50 feridos e está previsto que o número de mortos aumente pela impossibilidade da Defesa Civil Síria se deslocar pelos bairros de Aleppo, assim como pela falta de remédios e profissionais de saúde", detalhou Khatib em uma conversa através da internet no interior da cidade.

Segundo o diretor da "Shahba" e a própria Defesa Civil Síria, um dos centros deste grupo de voluntários que presta socorro aos civis nas áreas controladas pelos rebeldes foi bombardeado e está fora de serviço.

Além disso, alguns hospitais do leste de Aleppo, a parte da cidade que é controlada pela oposição, deixaram de admitir mais feridos devido ao grande número de pessoas que já estão hospitalizadas.

Khatib explicou que o ritmo dos bombardeios continua sendo igualmente intenso como nos dois dias anteriores, quando 50 pessoas morreram no sábado e dezenas na sexta-feira.

O exército sírio lançou uma nova ofensiva sobre a cidade no final da semana, pouco depois que expirou o cessar-fogo estabelecido entre Estados Unidos e Rússia, durante o qual Aleppo viveu alguns dias de relativa calma.

Esta nova escalada de violência deixou pelo menos 139 mortos na zona leste da cidade, segundo o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que se pronunciou hoje no Conselho de Segurança da ONU, em reunião convocada com urgência para tratar da situação em Aleppo.

A embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, também ofereceu esse número de vítimas mortais e de centenas de feridos, e confirmou que 158 ataques foram realizados por aviões militares russos e sírios contra a zona leste da cidade.

Power qualificou os ataques como "sem precedentes", enquanto De Mistura considerou que Aleppo vive sua "pior semana" em seis anos de conflito armado na Síria.

Aleppo é a segunda cidade mais importante do país e uma das mais castigadas pela guerra, já que seu controle é disputado desde 2012 entre as forças de Damasco e os rebeldes, que conquistaram sua metade leste este ano.

Essa área está sitiada pelas forças governamentais há dois meses, mas, em agosto, os rebeldes conseguiram abrir de forma temporária uma via de provisões pelo sudoeste, até que o regime retomou seu domínio recentemente.

Dentro dos combates para manter ou acabar com esse assédio, as facções islâmicas armadas conseguiram recuperar hoje o controle do acampamento de refugiados palestino de Handarat, no norte de Aleppo, cuja posição estratégica permitiria ao regime fechar o cerco sobre os bairros dominados pela oposição.

As tropas do governo sírio chegaram a dominar brevemente o acampamento ontem, o que garantiria ao regime o controle sobre o Caminho de Castelo, a via de abastecimento das autoridades no norte de Aleppo.

No plano diplomático, a Coalizão Nacional Síria (CNFROS), principal aliança de oposição, e cerca de 30 facções rebeldes advertiram hoje que as bases do processo de negociação carecem de significado em meio à violência.

Em comunicado conjunto, os opositores condenaram a escalada do regime e seus aliados "em sua agressão criminosa e atroz contra o povo da cidade de Aleppo".

Segundo os opositores no exílio e os insurgentes armados, o governo de Damasco aplica "uma política de terra arrasada com o objetivo de destruir Aleppo e deslocar seus moradores".

Além disso, a delegação da Comissão Suprema para as Negociações, um órgão da oposição, suspendeu hoje sua visita a Nova York, onde participava da Assembleia Geral da ONU, em protesto pelo "massacre de Aleppo".

O porta-voz da Comissão, Riad Nasan Aga, disse à Efe em Riad, na Arábia Saudita, que os negociadores também não irão a Washington, como estava previsto.

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