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Com mais de 250 mil habitantes, leste de Aleppo só tem 30 médicos vivos

26/09/2016 12h07

Genebra, 26 set (EFE).- Apenas 30 médicos continuam vivos na zona leste da cidade de Aleppo, sitiada desde julho pelas forças do governo sírio e onde existem mais de 250 mil pessoas morando, incluindo 85 mil crianças, denunciou nesta segunda-feira o pediatra Abd Al Rahman, membro da Associação Médica Síria (SMA).

Entre os médicos sobreviventes, apenas dois são pediatras e quatro são obstetras, além de algumas poucas enfermeiras, e a carência de material hospitalar básico aumentou na última semana. Segundo Abd, nos últimos dias 280 mortes foram registradas na área sitiada de Aleppo e só ontem 400 pessoas ficaram feridas em bombardeios, entre elas 61 crianças.

Nos oito hospitais que ainda funcionam - sendo quatro de maneira parcial -, não há material ortopédico nem cirúrgico e também faltam bolsas de sangue para transfusões.

Diante deste quadro, o pediatra afirmou que nenhum dos hospitais em funcionamento cumpre com padrões internacionais e alguns nem mesmo são hospitais, mas sim casas adaptadas para receber feridos e doentes.

"Desde que começou a guerra (abril de 2011), mais da metade dos médicos saiu da Síria e o número de profissionais em Aleppo diminui cada vez mais", lamentou ele, lembrando que há três meses eram 90 os médicos que atuavam no leste da cidade.

"Existem médicos sírios dispostos a ir a Aleppo para atender as pessoas, mas o cerco militar os impede de chegar", destacou Abd, quem deu seu depoimento perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU que está reunido em Genebra.

O médico relatou alguns padrões típicos na guerra civil na Síria, como "os ataques governamentais simultâneos contra vários hospitais na mesma cidade, o que impede que os feridos possam receber atendimento".

"Em Aleppo, o objetivo claro é destruir todo o sistema de saúde", denunciou Abd, que conta com o apoio da Sociedade Médica Sírio-Americana (SAMS) e da ONG Médicos para os Direitos Humanos.

Frente à imensa necessidade vivida pelo sistema de saúde da Síria, a Sociedade Médica Sírio-Americana criou um centro de formação de enfermeiros em Aleppo, mas o local também foi alvo de um bombardeio no mês passado, segundo informou o diretor da SAMS na Síria, Mazen Kewara.

"Os hospitais e todos os lugares associados a eles se tornaram os locais mais perigosos da Síria", sustentou.

Contudo, enquanto a situação é crítica no leste de Aleppo e a entrada de qualquer ajuda humanitária externa está totalmente bloqueada, na parte oeste da cidade - controlada pelo governo - as provisões médicas aumentaram nas ultimas semanas, segundo Kewara. EFE

is/cdr