Era Correa chega ao fim em ano de abalos sísmicos e econômicos no Equador

Jesús Sanchis Moscardó.

Quito, 22 dez (EFE).- Com certeza por muito tempo, os equatorianos lembrarão um ano tão singular quanto o de 2016, quando viveram na pele os efeitos devastadores de um terremoto e, em meio aos embates da crise econômica, viram o fim da "era" de Rafael Correa como presidente do país.

Eram 18h58 (horário local, 21h58 em Brasília) de 16 de abril quando o litoral norte do Equador se estremeceu com um terremoto de magnitude 7,8 na escala Richter que causou a morte de 670 pessoas, segundo o governo. A catástrofe semeou a dor no país e deixou uma profunda marca de destruição em grandes partes das províncias de Manabí e Esmeraldas, sendo a primeira a mais afetada pelo tremor.

Nos dias e semanas posteriores aconteceram o resgate de sobreviventes, a recuperação dos corpos, a chegada de ajuda humanitária, a demolição dos edifícios em estado de ruínas e a retirada de escombros para dar passagem aos programas de reconstrução, cujo custo foi cifrado pelo governo em US$ 3,34 bilhões. Esse valor representa um forte golpe para a economia equatoriana, afetada este ano pelo fortalecimento do dólar e pela drástica queda do preço do petróleo, principal produto de exportação do país.

Nessa difícil conjuntura, o governo reduziu o orçamento do Estado de US$ 37,31 bilhões de 2015 para 29,90 bilhões em 2016 e aprovou a lei para aumento de impostos ao tabaco, ao álcool e a certas bebidas doces.

E a essas medidas, após a catástrofe, se somaram outras orientações voltadas especialmente a arrecadação de fundos para a reconstrução das regiões afetadas, como o aumento por um ano do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) de 12% para 14%, a contribuição feita pelos trabalhadores de um dia de salário durante um ou vários meses em função do nível de renda e um encargo de 3% aos lucros empresariais.

À margem das decisões derivadas do terremoto, setores de oposição criticaram o governo pela dívida assumida e pelo aumento dos impostos ao considerar que incorreu em um excessivo gasto público e que foi pouco previdente por não dispor de caixa para enfrentar problemas em momentos complicados. O Executivo defendeu o endividamento como um mecanismo completamente lógico para impulsionar o progresso do país e poder realizar muitos dos investimentos que irão proporcionar o bem-estar de todos os equatorianos.

O líder, Rafael Correa, reconheceu a difícil conjuntura econômica e admitiu estar preocupado com o aumento do desemprego, mas garantiu que, depois dessas dificuldades, se constata "uma clara reativação da economia", assim como a criação de emprego e enfatizou que "2017 será um ano de crescimento".

O Equador termina 2016 em clima pré-eleitoral. Em fevereiro do ano que vem acontecerá a eleição para renovar a Assembleia Nacional (parlamento unicameral) e escolher um novo presidente, já que Correa não pode se apresentar novamente como candidato por já ter sido reeleito uma vez. Sobre seu futuro, ele manifestou vontade de ir morar um tempo na Bélgica, país onde nasceu sua esposa, Anne Malherbe.

Os candidatos que aspiram à presidência do país são o ex-banqueiro Guillermo Lasso, o ex-prefeito de Quito Paco Moncayo, o ex-deputado Abdullah "Dalo" Bucaram, ex-vice-presidente Lenín Moreno, a ex-deputada Cynthia Viteri, o ex-chanceler Patrício Zuquilanda, o ex-promotor Washington Pesántez e o médico Ivan Espinel.

As pesquisas dão vantagem ao governista Moreno, seguido de Lasso e Cynthia, mas revelam também uma considerável porcentagem de indecisos, que supera os 50% do eleitorado.

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