Defesa da Mossack Fonseca diz que Brasil não investiga firma na Lava Jato

Cidade do Panamá, 24 mar (EFE).- A defesa de Ramón Fonseca e Jürgen Mossack, donos do escritório de advocacia Mossack Fonseca e que estão detidos no Panamá por seu suposto envolvimento no escândalo da Lava Jato, disse nesta sexta-feira que "não há nenhuma prova no expediente que os vincule com essa investigação no Brasil".

Os representantes dos empresários alegam que "a única investigada" é a advogada panamenha María Mercedes Riaño, como disse Guillermina McDonald, uma ex-procuradora do Panamá, em entrevista coletiva.

Riaño, que trabalhava no Brasil na venda de sociedades anônimas, é investigada por supostamente destruir documentação possivelmente relacionada com transações vinculadas à Lava Jato, de acordo com ela.

Fonseca, Mossack, Riaño e o advogado Edison Teano estão detidos no Panamá desde 9 de fevereiro, acusados pelo Ministério Público (MP) do país centro-americano por lavagem de dinheiro e sob a acusação de formarem uma "organização criminosa" que ajudava a lavar dinheiro de corrupção de outros envolvidos na Lava Jato.

A defesa da Mossack & Fonseca solicitou uma fiança de libertação para os dois sócios principais do escritório, mas um tribunal a negou no dia 24 de fevereiro.

Na quinta-feira, o procurador Contra o Crime Organizado, Rómulo Bethancourt, disse a jornalistas que viajará ao Brasil em abril, depois da descoberta de que foram abertas e fechadas duas contas nos bancos panamenhos nas quais foi movimentado dinheiro em proveito de representantes do escritório.

McDonald afirmou que "é totalmente falso" que seus clientes tenham fechado essas contas "administrativas", que eram usadas para receber o pagamento de honorários pelos serviços que prestam no mundo todo às 250 mil sociedades anônimas que venderam, e quem fez isso foi o banco, embora não o tenha identificado.

Outra integrante de sua equipe, a advogada Marlene Guerra, disse à Agência Efe que Riaño tinha essas contas no FPB Bank, de capital brasileiro e que recentemente se viu envolvido no Panamá no âmbito das investigações da Lava Jato.

"Não sabemos se Riaño tinha contas em outros bancos, também não podemos dizer que lavava dinheiro, isso tem que ser provado pelos procuradores", argumentou.

Guerra é responsável especificamente da defesa de Mossack, e nesta sexta-feira se incorporou como defensora em matéria constitucional o escritório do advogado Jorge Hernán Rubio, pai do atual vice-ministro de governo, Carlos Rubio.

McDonald afirmou que Riaño tinha um contrato de representação da Mossack & Fonseca, mas não era sua funcionária, e sim a responsável por fazer "a devida diligência" de todos os clientes aos quais vendia uma sociedade anônima, e que "está provado" que quando uma dessas empresas não passava nos filtros, a sociedade era fechada.

Pela relação contratual, cabia a Riaño mandar à Mossack Fonseca no Panamá cópias de todas as transações que fazia no Brasil.

A defesa de Riaño alega que esta seguia ordens do escritório no Panamá.

Antes de ser detido, Fonseca, ex-conselheiro do presidente panamenho, Juan Carlos Varela, acusou o governante de receber doações da construtora Odebrecht durante a última campanha eleitoral, algo que este último negou categoricamente e, como prova, revelou a lista de seus contribuintes.

No Panamá, a Procuradoria realiza seis investigações em torno da Odebrecht, com pelo menos 17 acusados, entre eles dois filhos do ex-presidente Ricardo Martinelli (2009-2014), contra os quais há uma ordem internacional de busca e detenção.

A Odebrecht reconheceu à Justiça dos Estados Unidos ter pagado US$ 788 milhões em propinas em 12 países, incluindo o Panamá, onde especificamente US$ 59 milhões foram pagos durante o governo de Martinelli.

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