No Cairo, Francisco mostrará que ouvir e dialogar afasta violência

Javier Alonso.

Cidade do Vaticano, 26 abr (EFE).- Segundo papa a viajar ao Egito, Francisco defende que não existe "guerra de religiões" e chegará ao Cairo depois de atentados contra os coptas com uma agenda que enfatiza também a aproximação entre os cristãos.

Ele insiste que o diálogo é o instrumento tanto para superar o recurso da violência - que esses atentados do Estado Islâmico (EI) ilustram - quanto para acabar com as diferenças entre os próprios cristãos, um esforço ecumênico que também poderá ser visto no Cairo.

O papa fará nos dias 28 e 29 sua primeira viagem internacional do ano, uma visita confirmada apesar dos recentes atentados e que estará cercada de fortes medidas de segurança que o Vaticano vê "com serenidade", de acordo com o porta-voz do Vaticano, Greg Burke.

Francisco apelou neste mês à "capacidade de escutar" como o trabalho mais importante que os representantes das religiões devem assumir, em um pronunciamento no Vaticano perante líderes muçulmanos do Reino Unido.

O papa já tinha descartado no ano passado o vínculo entre violência e islã, ao voltar de uma viagem à Polônia.

"Creio que não seja justo identificar o islã com a violência. Isto não é justo e não é verdadeiro", afirmou, lembrando que também existem "católicos violentos".

Naquela ocasião, ele resumiu assim o seu pensamento sobre a reiterada violência cometida em nome do islã e reconheceu que "em todas as religiões há um pequeno grupo fundamentalista".

Para o pontífice, o islã busca "a paz e o encontro", como destacou depois de um encontro que teve no Vaticano com o grande imã da Universidade de al-Azhar, Ahmad Al Tayeb, com quem se reunirá de novo nesta semana na capital egípcia.

Mas o papa também advertiu que o terrorismo "cresce quando não há outras opções", uma afirmação que ligou com outra ideia que repete: a de que existe um "terrorismo de base" que incentiva a consideração do "Deus dinheiro" nas estruturas econômicas mundiais dominantes. E embora tenha enfatizado ser uma "aberração" assassinar em nome de Deus, ele ressaltou que "não se pode ofender" uma religião ou "zombar" dela, uma afirmação que fez após o ataque à redação da revista "Charlie Hebdo", em Paris, que publicou uma caricatura do profeta Maomé.

O massacre, em nome do extremismo religioso islâmico, provocou as seguintes palavras do pontífice: "Manifesto minha esperança de que líderes religiosos, políticos e intelectuais, especialmente da comunidade muçulmana, condenem todas as interpretações fundamentalistas e extremistas da religião que tentam justificar tais atos de violência". Um pensamento renovado em seu encontro no Vaticano com Ahmad Al Tayeb, principal responsável do centro islâmico de referência para os sunitas, na reunião que descongelou as relações entre as duas partes.

Os laços foram interrompidos como protesto pelas declarações do papa emérito Bento XVI sobre a necessidade de proteger cristãos no Egito e no Oriente Médio.

No Egito o papa mostrará ainda como o diálogo está propiciando a aproximação entre os próprios cristãos. Exemplo disso será a presença de Bartolomeu I de Constantinopla (patriarca ortodoxo), igualmente convidado ao Cairo por Ahmad Al-Tayeb.

Francisco também visitará Teodoro II da Alexandria (o papa da Igreja Ortodoxa Copta), com quem depois protagonizará uma oração em homenagem às vítimas dos ataques contra os fiéis coptas cometidos nos últimos meses no país.

Desta maneira, o papa dá continuidade ao caminho do ecumenismo que destacou na sua viagem internacional mais recente, quando participou da comemoração na Suécia pelos 500 anos da Reforma Luterana, para mostrar que até as rivalidades mais antigas podem desaparecer com um bom diálogo.

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