Ex-chefe da CIA diz que Rússia interferiu descaradamente nas eleições de 2016

Washington, 23 mai (EFE).- O ex-diretor da CIA John Brennan afirmou nesta terça-feira perante o Congresso dos Estados Unidos que deve ficar "claro" que a Rússia interferiu "descaradamente" nas eleições presidenciais de 2016, nas quais o republicano Donald Trump venceu a candidata democrata, Hillary Clinton.

Brennan, que foi diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) americana entre 2013 e janeiro deste ano, explicou que ele foi um dos primeiros funcionários dos EUA a advertir Moscou sobre suas atividades, e pediu que parasse de afetar as eleições.

O ex-diretor da CIA discutiu o assunto com Alexander Bortnikov, chefe do serviço de segurança FSB da Rússia, quem disse que comunicaria as preocupações de Brennan ao presidente russo, Vladimir Putin.

"Deve ficar claro a todo o mundo que a Rússia interferiu descaradamente no processo eleitoral presidencial de 2016 e que fizeram essas atividades apesar das nossas fortes queixas e advertências explícitas para que não o fizessem", afirmou.

Perante o Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes, em uma audiência pública para abordar a investigação russa, Brennan disse estar "preocupado pelo número de contatos que os russos tinham feito com pessoas americanas" nos meses anteriores às eleições.

"Eles tentaram subornar indivíduos", disse Brennan, que apontou que, ao abandonar o cargo, tinha sérias dúvidas sobre se os russos tinham sido capazes ou não de envolver membros da campanha de Trump em suas atividades.

Brennan negou ter provas diretas sobre o possível conluio da equipe do magnata com os russos, mas insistiu em que havia indícios suficientes "para continuar investigando" a respeito, informação que compartilhou com o FBI e a Agência de Segurança Nacional (NSA) para agir de forma apropriada.

As agências de inteligência americanas concluíram que a Rússia interferiu nas eleições, mas falta esclarecer se essas atividades foram realizadas de maneira coordenada com a equipe de campanha do magnata.

Trump demitiu há duas semanas o então diretor do FBI, James Comey, que liderava a investigação sobre o assunto, uma medida que foi interpretada como uma tentativa do presidente de frear as apurações.

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