Órgão da ONU afirma que prevenção é melhor maneira de evitar efeitos da seca

Presépio Delgado.

Roma, 28 jun (EFE).- A falta de chuvas não deveria ser sinônimo de emergência e, no entanto, são muito poucos os Estados que apostam no planejamento para se adiantar à seca e evitar os seus piores efeitos, ao invés de de pôr os tradicionais remendos.

Apenas 17 países têm planos nacionais para enfrentar esse fenômeno se baseando no princípio da redução do risco da seca, destacou à Agência Efe Daniel Tsegai, especialista da Convenção das Nações Unidas de Luta contra a Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês).

"Há outros que alegam que têm esses planos, mas tentam somente responder às emergências ou coordenar-se na recuperação, sem um planejamento prévio", disse Tsegai.

Para o especialista, não é suficiente ter boas estações meteorológicas, já que deve-se analisar também o risco e determinar quem são vulneráveis à escassez prolongada de água e por que o são em função dos grupos de população ou a origem geográfica.

Especialistas de todo o mundo se encontraram na semana passada em Roma para abordar esse problema e evitar que se transforme em fonte de fome, pobreza e tensões sociais.

Por sua culpa, todo ano se perdem 12 milhões de hectares, uma área onde poderiam ser cultivadas 20 milhões de toneladas de grão, segundo a Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Ainda que seu impacto seja sofrido mais por alguns países do que por outros, tampouco os mais desenvolvidos se salvam, como quando em 2014 uma seca na Califórnia (Estados Unidos) afetou cerca de 400 mil trabalhadores do campo e causou perdas no valor de US$ 2,2 bilhões.

EUA e Austrália foram os primeiros, segundo Tsegai, a mudar de atitude e se tornarem "proativos" por meio dos seus planos nacionais. "Não se trata de uma crise, senão de um risco, e, se você pensa assim, faz política e a seca não o pega de surpresa", ressaltou Tsegai.

Um dos que se somaram a essa tendência é o México, que desde 2013 conta com um programa contra um fenômeno que já lhe deu muito desgosto.

Horacio Rubio, da Comissão Nacional da Água, explicou que seu governo tomou medidas de prevenção e combate a partir do monitoramento das condições climáticas, o que lhes permite prever as chuvas ou sua ausência.

Também avaliam os riscos analisando, por exemplo, 24 fatores socioeconômicos e ambientais, para determinar o grau de vulnerabilidade das comunidades, e dão informação aos agricultores para que se preparem com tempo.

Tsegai insiste em conscientizar e informar os setores sociais e unir os países de cada região para que estudem entre eles e revisem as suas respostas. Um incentivo para mudar a dinâmica seguida por outros governos.

Como a Etiópia, que em 2016 destinou US$ 800 milhões para "manter com vida a população" comprando alimentos do exterior, segundo o especialista da ONU, que sustenta que essa quantidade podia ter sido investida antes para aumentar a resiliência em relação à seca desse ano e dos seguintes.

As tecnologias existem: sensores remotos, variedades de cultivos mais resistentes ou seguros agrícolas são algumas delas, ainda que falte conectá-las com os produtores locais.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas está trabalhando para impulsionar melhores práticas agrícolas, diversificar a economia no campo e facilitar o crédito na gestão prudente dos riscos, segundo o seu especialista Jyothi Bylappa.

O diretor-geral do Instituto do Sahel, Sibiri Ouedraogo, destaca o comitê permanente de luta contra a desertificação como um instrumento de solidariedade na região, além de outros projetos de recuperação de terras degradadas, gestão da água e mudança climática.

Em cerca de 20 países africanos, além disso, se emprega a agricultura de conservação, com técnicas como a de cobrir o solo com legumes para mantê-lo saudável.

E nesse mesmo continente já há pastores que recebem informação meteorológica para saber como manejar os pastos ou para onde deslocar o gado dependendo da vegetação, sem necessidade de sofrer com a seca.

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