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Quase dois milhões de muçulmanos começam peregrinação anual à Meca

30/08/2017 16h15

Suliman al Assad.

Riad, 30 ago (EFE).- Quase dois milhões de muçulmanos chegaram à Arábia Saudita para participar do "hajj", a peregrinação anual à cidade santa da Meca, que começou nesta quarta-feira com o retorno dos iranianos após um ano de suspensão e na qual também estão presentes os catarianos, apesar da atual crise diplomática.

Segundo o porta-voz do Ministério de Interior saudita, coronel Mansur al Turki, metade dos peregrinos já visitou a Mesquita do Profeta na cidade santa de Medina e a expectativa é que estejam hoje em Mina, cerca de sete quilômetros ao leste da Meca, lugar onde passam o primeiro dia do "hajj", denominado "Al Taruia", que significa "saciar a sede".

Estes fiéis dedicam esta primeira jornada da "Al Taruia" a rezar, ler e recitar o Corão (livro sagrado do islã) ou a discutir assuntos religiosos em Mina.

Até agora, 1.862.909 peregrinos chegaram às áreas sagradas para o "hajj", segundo dados da autoridade saudita para as Estatísticas publicados no Twitter.

Pelo menos 100.000 membros dos corpos de segurança foram desdobrados para velar pela segurança dos peregrinos.

Além disso, o governo saudita instalou câmeras de segurança e preparou aviões de vigilância, detalhou o porta-voz do Ministério de Interior saudita à agência oficial saudita "SPA".

Al Turki também informou que, nas últimas horas, as autoridades sauditas impediram a passagem de mais de 400.000 pessoas por não terem a permissão necessária para fazer a peregrinação.

Os peregrinos permanecerão em Mina antes de dirigir-se entre a madrugada e o meio-dia de amanhã ao monte Arafat, cerca de 20 quilômetros ao leste de Mina, onde acontece o rito mais destacado do "hajj".

O Ministério de Peregrinação indicou em um comunicado que se coordenou com todas as missões de peregrinos com o objetivo de determinar horários "restritos" para fazer as orações correspondentes.

Além disso, organizarão os horários para que os peregrinos possam sair das suas lojas para realizar o ritual de lançar calhaus contra três colunas que representam as tentações do diabo, ato que inicia no primeiro dia do "Eid al-Adha", ou Festa do Sacrifício, e se prolonga durante quatro dias.

"Essas medidas têm como objetivo organizar o movimento dentro da área de Mina para evitar colapsos", detalhou o ministério, em alusão ao pisoteamento de 2015, no qual morreram centenas de peregrinos.

A presidência dos Assuntos da Mesquita Grande e da Mesquita do Profeta, em Meca e Medina, apontou em um comunicado que proporcionou mais de 15.000 cadeiras de rodas para idosos e incapacitados.

Igualmente, destacou 6.300 empregados para proporcionar água fria aos peregrinos, oferecer-lhes o Corão, supervisionar a limpeza das áreas sagradas e vigiar e guardar as portas em Meca e Medina.

O responsável pelas relações publicas do Crescente Vermelho saudita, Ahmed Barian, indicou que o comitê preparou 133 centros médicos sob a supervisão de 78 médicos e especialistas, bem como um total de 2.500 funcionários para prestar serviço aos peregrinos.

Barian acrescentou que há quatro helicópteros médicos preparados e que começaram seu trabalho, enquanto que 500 voluntários foram distribuídos em Meca e Arafat para ajudar aos peregrinos que iniciaram o rito anual.

Por sua parte, o porta-voz do Ministério de Saúde saudita, Meshal al Rabiaan, explicou que foram preparados 25 hospitais e 155 centros sanitários nas áreas sagradas, nos quais trabalham pelo menos 29.000 médicos e enfermeiros.

Neste ano retornam à Meca os fiéis iranianos após um ano de suspensão e também estão presentes os catarianos, apesar da crise diplomática entre Doha e os países do Golfo Pérsico que se iniciou no último dia 5 de junho.

Apesar de ter fechado a fronteira com o Catar, a Arábia Saudita permitiu a entrada de 1.340 catarianos para realizar a peregrinação, segundo o Departamento Geral de Passaportes sauditas, depois que Doha recusou que Riad fretasse voos especiais para transportar seus cidadãos.

As tensões políticas mancham o grande evento religioso, mas não impediram que 86.500 iranianos chegassem à Meca este ano, após a suspensão do "hajj" pela tragédia de 2015, na qual morreram 400 fiéis procedentes do Irã, e pela qual Riad responsabilizou este grupo.