Mais de 230 escritores, entre eles Vargas Llosa, rejeitam indulto a Fujimori

Lima, 29 dez (EFE).- Mais de 230 escritores peruanos, entre eles Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de Literatura de 2010, assinaram uma carta de protesto contra a "conduta ilegal e irresponsável" do presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, de ter indultado o ex-governante Alberto Fujimori.

"Fujimori foi condenado por violação de direitos humanos e corrupção. Foi responsável por um golpe de Estado e pelo desmantelamento de nossa institucionalidade. O seu indulto demonstra o pouco apreço pela dignidade, pela igualdade perante a lei e pelo direito à memória", enfatiza o pronunciamento.

Os signatários, entre eles Alfredo Bryce Echenique, Fernando Iwasaki, Alonso Cueto e Alfredo Pita, afirmam que "o gesto do presidente Kuczynski cobre de infâmia e vergonha" o país.

A carta é um protesto contra a decisão de Kuczynski de indultar e conceder o direito de graça aproveitando a comemoração das festas natalinas "a alguém que cometeu crimes contra humanidade, o ex-presidente Alberto Fujimori".

Os escritores enfatizam que "não é um segredo para ninguém que Fujimori não sofre de nenhuma doença degenerativa nem terminal", motivo pelo qual disseram que na realidade se trata "de um aleivoso pacto de convivência entre as forças políticas interessadas em controlar os efeitos dos casos de corrupção que os envolvem, assim como de perpetuar a injustiça e a impunidade".

"Rejeitamos o abuso da linguagem da reconciliação e o perdão que visa legitimar esta medida espúria, e colocar como violentos e intolerantes os quem defendem a verdade e a memória", declaram.

De acordo com a carta, "são especialmente inaceitáveis os chamados ao esquecimento e as menções à pobreza, o progresso econômico e o bicentenário como fins que justificam medidas negacionistas".

"A tentativa de calar via decreto as vítimas do ex-ditador agora livre - como se a dignidade e a dor tivessem um preço - ficará como prova do pacto de impunidade que tem se estabelecido entre o governo e o fujimorismo desde o dia 24 de dezembro", comentam.

Os assinantes do pronunciamento afirmam que, "por tudo o que foi expressado, a permanência de Pedro Pablo Kuczynski como presidente da República é incompatível com o Estado de Direito e os valores democráticos".

Os 239 escritores apostam em uma "reorientação" da política peruana "para uma que priorize a pessoa como centro do desenvolvimento, do conforto e da justiça social" e reiteram que se unem "aos protestos cidadãos, assim como às cartas divulgadas por outros coletivos e associações".

Kuczynski concedeu em 24 de dezembro o indulto humanitário a Fujimori, que atualmente permanece numa clínica de Lima, com base em razões humanitárias, ao considerar que o ex-governante sofre uma série de doenças e que sua saúde poderia se agravar na prisão.

Fujimori cumpria uma pena de 25 anos de prisão imposta em 2009 como responsável pelo assassinato de 25 pessoas nos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), cometidos pelo grupo militar Colina, e pelo sequestro de um jornalista e um empresário em 1992.

A decisão, que gerou diversos protestos, veio três dias depois que parlamentares do fujimorismo evitaram que fosse aprovado no Congresso um pedido de destituição de Kuczynski por vínculos com a Odebrecht.

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