Putin promete reduzir pobreza e se gaba de armamento em "discurso eleitoral"

Virgínia Hebrero.

Moscou, 1 mar (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se comprometeu nesta quinta-feira a reduzir drasticamente a pobreza e a tirar a Rússia de seu " atraso", durante seu discurso sobre o estado da nação, no qual advertiu que o país possui armamento invencível frente a qualquer ataque externo.

"Devemos resolver uma das tarefas-chave para a próxima década: garantir um crescimento sustentado das receitas efetivas dos cidadãos e, em seis anos, reduzir pelo menos à metade o nível de pobreza", disse o chefe do Kremlin em seu discurso, transmitido ao vivo a todo o país pela televisão.

O discurso perante as duas câmaras do parlamento - reunidas na grande sala de congressos Manezh, em frente ao Kremlin - acontece tradicionalmente no final de dezembro, razão pela qual a data escolhida, dois meses mais tarde e a apenas 17 dias das eleições presidenciais, causou bastante surpresa.

O discurso institucional de Putin - que buscará seu quarto mandato presidencial - se transformou deste modo em um grande ato eleitoral em plena campanha, o que foi denunciado pela oposição e outros candidatos.

No entanto, a presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC), Ella Panfilova, declarou que não houve nada ilegal já que o presidente não fez "discursos eleitorais".

Ao longo de duas horas - um tempo recorde para um discurso que devia durar 40 minutos -, o chefe do Kremlin detalhou seu programa eleitoral para os próximos seis anos, embora sem fazer referência ao pleito, no qual sua vitória já é dada como certa.

Putin admitiu que atualmente 20 milhões dos 146 milhões de russos vivem abaixo da linha de pobreza e se comprometeu a reduzir esse número à metade.

Além disso, prometeu "renovar a estrutura do emprego, hoje em grande medida ineficaz e arcaica", e a "dar às pessoas um bom trabalho que traga bem-estar", assim como a equiparar o salário mínimo ao mínimo de subsistência a partir do próximo dia 1º de maio.

Por outro lado, mirou em outro ambicioso objetivo, o de reverter a historicamente baixa expectativa de vida, que - segundo lembrou - em sua chegada ao Kremlin, em 2000, era de 65 anos para as mulheres e de apenas 60 para os homens.

Após ter aumentado nos últimos anos até 73 anos, afirmou que, "até o final da próxima década, a Rússia deve entrar no clube dos países '80+', como Japão, França e Alemanha".

Em um momento inovador para seus discursos, Putin reconheceu que "para seguir adiante, crescer de forma dinâmica, devemos ampliar o espaço de liberdades em todas as esferas, fortalecer as instituições democráticas, o autogoverno local, as estruturas da sociedade civil e a justiça".

Nesse sentido, admitiu que "o atraso é a principal ameaça, uma doença crônica" da Rússia, e disse que o país está pronto para dar o necessário salto tecnológico.

Putin também prometeu lutar contra a poluição, a contaminação da água e a "neve negra" que cai em grandes centros industriais, reforçando as exigências ambientais para as empresas mais contaminantes.

Um capítulo à parte pela sua duração (mais de 45 minutos), pelo seu tom de "aviso aos navegantes" e pelo acompanhamento visual em forma de vídeos foi o trecho do discurso dedicado ao armamento nuclear.

Putin apresentou de maneira bastante dramática o novo míssil balístico Sarmat que tem um "alcance praticamente ilimitado" e que transforma em "inútil" o escudo antimísseis dos Estados Unidos.

"Ninguém no mundo tem algo igual, por enquanto. É algo simplesmente fantástico!", afirmou o chefe do Kremlin, antes de exibir o vídeo infográfico onde se pôde ver a trajetória do míssil sobrevoando território americano e imagens de testes desses projéteis.

Além disso, comentou que o exército russo já dispõe de "complexos com armamento laser" e "armas hipersônicas", assim como um míssil de longo alcance lançado de submarinos e capaz de portar uma ogiva nuclear, e pediu aos cidadãos que proponham nomes para a arma.

"Nenhum país no mundo tem, no dia de hoje, as armas que nós temos", destacou Putin, antes de fazer uma última advertência.

"Antes que tivéssemos os novos sistemas de armamento, ninguém nos escutava. Escutem-nos agora! Confio que tudo que foi dito na minha mensagem sirva para acalmar qualquer agressor potencial", finalizou. EFE

vh/rsd

(foto) (vídeo)

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