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Boko Haram liberta 105 das 110 meninas raptadas na Nigéria

21/03/2018 16h04

(Atualiza o número de meninas libertadas e acrescenta informações).

Abuja, 21 mar (EFE).- Pouco mais de um mês depois que o grupo jihadista Boko Haram sequestrou 110 meninas de uma escola na Nigéria, pelo menos 105 delas foram libertadas nesta quarta-feira e retornaram a suas casas na cidade de Dapchi, no nordeste do país.

Apesar de o governo ainda não ter dado um número definitivo, o ministro de Informação, Lai Mohammed, explicou que o Boko Haram libertou "105 meninas e um menino, um total de 106" estudantes, segundo o jornal local "Premium Times", que não ofereceu detalhes sobre o menino, cujo desaparecimento as autoridades não tinham conhecimento.

As meninas foram liberadas por volta das 3h locais (23h da terça-feira em Brasília), quando o grupo terrorista as deixou em Dapchi, a cidade onde fica o instituto feminino de educação secundária atacado pelo Boko Haram em 19 de fevereiro.

O governo ainda não se pronunciou sobre o paradeiro das cinco meninas que faltam, mas os veículos de imprensa locais indicam que elas teriam morrido por asfixia pouco depois de seu sequestro, pois os veículos nos quais foram transportadas estavam cheios demais.

"Cinco de nós morreram enquanto outra, cristã, permanece em cativeiro porque se negou a renunciar à sua religião", contou uma das libertadas, Maryam Yerima, em declarações publicadas pelo jornal "Daily Trust".

A jovem detalhou que os terroristas lhes deram tâmaras e frutos silvestres para comer e que pediram que trocassem seus uniformes por um hijab (lenço que cobre a cabeça das mulheres muçulmanas, mas não o rosto) amarelo.

Além disso, Yerima disse que as meninas passaram cinco dias viajando até chegarem hoje a Dapchi.

Depois de sua chegada, as libertadas foram transferidas com um grande dispositivo militar, do hospital de Dapchi para a capital do estado de Borno, Maiduguri, onde, segundo veículos de imprensa locais, serão recebidas por um grupo de ministros - entre os quais se encontra Mohammed - enviados pelo presidente nigeriano, Muhammadu Buhari.

O governo alega que não pagou nada pelo resgate das meninas e ressaltou que a libertação foi acertada através "dos canais diplomáticos e com a ajuda de alguns amigos do país".

O incidente de 19 de fevereiro fez a população nigeriana relembrar o sequestro de mais de 200 estudantes em Chibok, no estado vizinho de Borno, em 2014.

Apesar de muitas delas terem sido libertadas ao longo desses quatro anos, 112 delas permanecem em cativeiro.

Hoje, o governo local de Borno ordenou o fechamento dos internatos de ensino médio do estado para prevenir novos ataques do grupo terrorista.