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Índia tem 1ª condenação contra grupo de "protetores de vacas"

21/03/2018 14h29

Nova Délhi, 21 mar (EFE).- Um tribunal do estado de Jharkand (Leste) condenou nesta quarta-feira 11 pessoas à prisão perpétua pelo assassinato de um homem por transportar carne de vaca em junho de 2017, na primeira sentença na Índia contra os denominados "protetores de vacas", grupos de extremistas hinduístas.

O tribunal, do distrito de Ramgarh, sentenciou 11 dos 12 envolvidos por várias acusações, entre eles, assassinato e conspiração criminosa, pelo linchamento em 29 de junho do ano passado de Alimuddin Ansari, informou à Agência Efe o promotor adjunto S K Sukla, responsável pelo caso.

O promotor destacou que trata-se da primeira condenação por linchamento relacionada com os denominados "protetores de vacas", patrulhas de extremistas hinduístas que atacam pessoas em suposta defesa das vacas.

Sukla precisou que o tribunal não se pronunciou sobre o 12° acusado, que no momento do assassinato tinha 16 anos e dois meses, já que seu caso está em mãos de um Tribunal de Justiça juvenil.

"A Promotoria enviou um pedido para que seu caso seja julgado como o de um adulto, já que é maior de 16 anos e o caso é sobre um crime sério", explicou.

Os condenados podem recorrer da sentença.

Os incidentes protagonizados por grupos de "protetores de vacas" da extrema direita hinduísta, muitos deles vinculados com o partido BJP de Modi, se multiplicaram desde a chegada desse partido ao poder em maio de 2014, provocando a morte de várias pessoas em ataques por supostamente transportar vacas ou carne de vaca.

Os incidentes ganharam força no país entre críticas da oposição por não ser respondidos com contundência e um endurecimento de leis de proteção das vacas nos estados nos quais governa a formação hinduísta.

O linchamento de Ansari aconteceu horas depois que o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, condenou deste tipo de ataques pela primeira vez em três anos de mandato.