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Destino das cinzas de líder de seita executado causa polêmica no Japão

O líder de seita Verdade Suprema, Shoko Asahara, morto na última sexta - Jiji Press/AFP
O líder de seita Verdade Suprema, Shoko Asahara, morto na última sexta Imagem: Jiji Press/AFP

Em Tóquio

09/07/2018 09h04

O corpo do fundador da seita Verdade Suprema, Shoko  Asahara, foi incinerado nesta segunda-feira (9) em Tóquio, no Japão, no meio de uma polêmica sobre quem assumirá responsabilidade sobre as cinzas diante do temor de que elas possam se transformar em objeto de culto.

As cinzas de Asahara, mentor dos atentados com gás sarin no metrô de Tóquio em 1995 e que foi executado na última sexta-feira, permanecem sob custódia policial até que se decida que familiar deve assumir responsabilidade por elas, informaram hoje veículos de imprensa locais.

Esta medida de precaução busca evitar que os restos mortais do líder da Verdade Suprema (Aum Shinrikyo, em japonês) se transformem em uma espécie de lembrança para seus seguidores e revivam o interesse pelo culto, que protagonizou uma das maiores tragédias da história recente de Japão.

Antes de ser executado por enforcamento, Asahara - cujo nome real era Chizuo Matsumoto - solicitou que suas cinzas fossem entregues à sua quarta filha, de 29 anos, um pedido do qual não estariam de acordo sua mulher, de 59 anos, e vários filhos, segundo os veículos de imprensa.

A mulher do guru e alguns dos seus filhos - acredita-se que ele chegou a ter entre seis e 12 - assinaram no último sábado uma solicitação ao Ministério de Justiça do Japão reivindicando que eles sejam os depositários dos restos mortais, um pedido que ainda não foi aprovado.

A quarta filha é a única descendente de Asahara que cortou os laços com o resto de seus familiares e integrantes da seita e deixou por escrito que não queria que nenhum deles herdasse seus pertences após seu falecimento.

Desde a execução, na sexta-feira passada, as autoridades japonesas aumentaram a vigilância sobre os antigos membros do culto e as organizações que surgiram a partir do mesmo: Aleph e Hikari no wa (Círculo de luz).

O maior atentado da Aum aconteceu em 20 de março de 1995, quando discípulos da seita colocaram bolsas com gás sarin em estado líquido em várias linhas do metrô de Tóquio, deixando 13 mortos, 6.300 feridos e dezenas de pessoas em estado vegetativo.

A justiça japonesa processou 190 integrantes da Aum por esses atentados e outros crimes relacionados, emitindo seis penas de prisão perpétua e 13 penas de morte, das quais ainda faltam ser cumpridas outras seis.

A seita, centrada na figura de Asahara, que era venerado como uma divindade, nasceu no final dos anos 1980 e foi crescendo em adeptos até alcançar cerca de 10 mil no Japão e no exterior em sua época de maior popularidade.