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Democratas dos EUA reformam sistema de primárias para eleições de 2020

25/08/2018 21h00

Washington, 25 ago (EFE).- O Comitê Nacional Democrata dos Estados Unidos (DNC) aprovou neste sábado uma profunda reforma que neutraliza o histórico poder das elites do partido na seleção do candidato presidencial, com o objetivo de contentar a base e evitar que as primárias de 2020 sejam tão amargas como as de 2016.

Em reunião em Chicago, o DNC aprovou por unanimidade reformas que reduzem ao mínimo o papel dos "superdelegados", funcionários eleitos do partido que se reservavam um sexto dos votos na convenção nacional e que podiam votar com independência dos sufrágios populares emitidos em cada estado.

A partir de agora, esses "superdelegados" - um grupo que inclui legisladores, governadores e ex-presidentes - já não poderão votar na convenção que fecha o processo de primárias do partido, a não ser que se registre um empate entre os pré-candidatos democratas.

A figura dos "superdelegados" foi criada em 1982 a fim de dar mais peso aos "entendidos", as elites do aparelho do partido, na hora de decidir o candidato democrata, e nos últimos anos tinha recebido críticas do ala mais à esquerda do partido.

Durante as primárias de 2016, a arrasadora vantagem de Hillary Clinton no voto dos "superdelegados" aumentou a impressão de muitos eleitores de que a ex-secretária de Estado tinha conseguido a candidatura graças ao apoio das elites, apesar de o senador Bernie Sanders ter gerado mais entusiasmo popular.

Na realidade, Hillary também obteve mais delegados normais (procedentes do voto popular) que Sanders, razão pela qual teria vencido de qualquer maneira na convenção, mas muitos eleitores consideravam mesmo assim que o sistema anterior era antidemocrático, e sua reforma faz com que o esquema de voto democrata se pareça mais com o republicano.

"Escutamos (os eleitores) e atuamos, e estou orgulhoso que o nosso partido esteja fazendo tudo o que pode para atrair as pessoas e fazer com que votar seja mais fácil", disse o presidente do DNC, Tom Pérez, após a aprovação da reforma.

Sanders também comemorou a decisão, ao afirmar em comunicado que a mudança fará com que o Partido Democrata seja "mais aberto e democrático e responda às ideias dos americanos comuns".

A reforma também encoraja os estados que organizam caucuses (assembleias populares) a que considerem mudar para um sistema de primárias, por considerar que seu esquema é mais simples e favorece uma maior participação popular, e exigem aos territórios que mantenham o primeiro sistema a permitir o voto pelo correio.

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