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Brasileira afirma que recebeu maus-tratos de autoridades da Nicarágua

27/08/2018 20h16

Manágua, 27 ago (EFE).- A documentarista brasileira Emilia Mello, que foi deportada da Nicarágua após ter sido detida no sábado, denunciou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que sofreu "maus-tratos psicológicos" na prisão, segundo informou a entidade.

"A brasileira-estadunidense Emilia Mello relata que sofreu um longo interrogatório e maus-tratos psicológicos de parte das autoridades na Nicarágua. Ela foi deportada ontem à tarde em um voo que saiu para El Salvador. Seguiu para a Cidade do México e hoje irá para Nova York", afirmou pelo Twitter o secretário-executivo da CIDH, Paulo Abrão.

Emilia Mello foi detida no sábado passado no município nicaraguense de San Marcos, quando viajava junto com um grupo de estudantes para a cidade colonial de Granada onde participariam de uma manifestação contra o governo.

A documentarista, que gravaria o protesto para um projeto audiovisual, foi detida e levada à prisão El Chipote, sede da Direção de Auxílio Judicial, de acordo com a Coordenadoria Universitária pela Democracia e a Justiça (CUDJ).

Tanto a brasileira como os outros 19 nicaraguenses, entre eles dois documentaristas locais, foram liberados horas depois, da mesma forma que um médico e um advogado.

A CIDH exigiu no domingo que o Estado da Nicarágua respeite a liberdade de expressão e o direito ao protesto em meio à crise no país.

Desde abril, milhares de nicaraguenses saíram às ruas para protestar contra o presidente Daniel Ortega durante uma crise que já deixou entre 322 e 448 mortos, segundo organizações humanitárias internacionais e locais. O governo reconhece 198 mortes e denuncia uma tentativa de golpe de Estado.