Israel e Egito completam 40 anos de paz desde acordos de Camp David

María Sevillano.

Jerusalém, 13 set (EFE).- Apesar de anos de negociações fracassadas com os palestinos, Israel ainda pode comemorar o 40º aniversário dos Acordos de Camp David, um projeto promovido pelos EUA que levou à assinatura, com o Egito, em 1979, de seu primeiro tratado de paz com um país árabe.

Quase duas semanas de conversas em Camp David, uma residência presidencial americana no estado de Maryland, mudaram o curso da história do Oriente Médio, até então caracterizado por uma aberta hostilidade dos países árabes a Israel, envolvido desde sua criação, em 1948, em quatro conflitos com vizinhos (1948, 1956, 1967 e 1973).

O então presidente egípcio, Anwar al Sadat, e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin, foram levados à mesa de negociações por Jimmy Carter, à frente do governo americano e que conseguiu que ambos fizesem concessões pela paz - o que lhes valeu o Prêmio Nobel, um custo político e, no caso de Sadat, a vida -, mas firmaram um sólido pacto que se mantém vigente até hoje.

Nos acordos, Israel se comprometeu a retirar sua presença militar e civil do Sinai, um termo que foi completado com o desmantelamento do assentamento de Yamit, em 1982, apesar da rejeição dos colonos. Já o Egito aceitou reconhecer o Estado de Israel. Os dois países deviam também normalizar suas relações em todos os níveis.

"Foi um acordo satisfatório, um acordo de paz", afirmou à Agência Efe Galia Golan, professora emérita de Ciência Política na Universidade Hebraica de Jerusalém.

Para ela, uma das chaves do acordo foi Begin aceitar a fórmula de paz por territórios, renunciando à península do Sinai, ocupada desde a Guerra dos Seis Dias, de 1967, e aos territórios de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e às Colinas de Golã.

O sionista convicto, ex-dirigente da milícia Irgun e líder do primeiro governo de direita de Israel, "não considerou que o Sinai egípcio era parte da histórica terra de Israel".

Com Camp David, "Begin não só queria impedir a guerra".

"Israel estava sob muita pressão americana para participar de uma conferência internacional que abrangesse uma paz extensa com os palestinos. Portanto, acredito que foi para evitar qualquer pressão para falar de Cisjordânia", disse Golan.

A especialista em negociações considera, no entanto, que "é um fenômeno bastante recente" a aproximação de Israel de outros países árabes, que não começou com Camp David, já que então todos se opuseram ao pacto e isolaram o Egito "por um longo tempo" ao expulsá-lo da Liga Árabe.

"Os contatos atuais se devem ao inimigo comum, o Irã. Os países árabes cooperam com Israel, em alguns casos de maneira extraoficial, porque a questão palestina ainda está aberta, e é difícil para a opinião pública deixar este assunto de lado. Querem que Israel os ajude em questões de segurança por um interesse comum", afirmou.

Ainda que não tenha sido resolvida a questão palestina, "o coração do conflito", como destaca Golan, é o que prejudica o sucesso dos acordos de Camp David.

Camp David se dividia em duas partes: a definição das relações entre Egito e Israel e a criação de um formato de negociação chamado "Marco para a Paz no Oriente Médio", que incluia, além dos dois signatários, a Jordânia, Síria e o Líbano "para o estabelecimento de um regime autônomo em Cisjordânia e Gaza", relata o arquivo histórico do Ministério das Relações Exteriores israelense.

A pasta afirma que "o acordo estrutural sobre o futuro de Judeia, Samaria (nomes bíblicos para a Cisjordânia) e Gaza foi menos claro, e mais tarde interpretado de maneira diferente por Israel, Egito e os EUA".

Com isso, ficou indefinida uma parte de um pacto que deu vida ao lema "chega de guerra, chega de derramamento de sangue" e que foi um "sucesso para as relações bilaterais, reforçando interesses comuns e a cooperação nos âmbitos militares e de segurança", segundo Mira Tzoref, professora adjunta do departamento de Oriente Médio e África da Universidade de Tel Aviv.

Hoje em dia, a relação entre os dois países é fluente, com especial ênfase na segurança e na luta contra o terrorismo em regiões como o norte do Sinai, que faz fronteira tanto com Israel como com a faixa palestina de Gaza, e onde grupos armados radicais atuam.

"Israel considera o tratado de paz com o Egito como um ativo de importância estratégica superior", disse o Ministério das Relações Exteriores israelense, que acrescentou ainda que, graças a esta relação, os dois superaram "muitos desafios e obstáculos" e guardam seu compromisso "com os objetivos comuns de paz, estabilidade e desenvolvimento econômico".

Mas a ausência de paz com os palestinos é que deveria fazer Israel "não se sentir tão orgulhoso", afirmou Tzoref.

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