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Internacional

Favorito no 2º turno, Bolsonaro transita entre o repúdio e a adoração

24/10/2018 09h02

Nayara Batschke.

Brasília, 25 out (EFE).- Visto por muitos como o candidato da mudança e o que melhor encarna o sentimento antipetista, Jair Bolsonaro, capitão da reserva do Exército marcado por discursos polêmicos como os de exaltação ao período da ditadura militar, desponta como favorito à vitória no segundo turno das eleições presidenciais no domingo, após uma campanha feita majoritariamente nas redes sociais e a decisão de não comparecer aos últimos debates.

Aos 63 anos e há quase 30 na política, Bolsonaro acumula um longo histórico de declarações depreciativas em relação a minorias, mas moderou o tom nas últimas semanas, após repercussões negativas no pais e no exterior.

O candidato do PSL levou a melhor no primeiro turno com 46% dos votos válidos. Fernando Haddad, do PT, a quem enfrentará no segundo turno, recebeu 29%.

Bolsonaro começou na política como vereador no Rio de Janeiro, em 1989, mas ficou apenas dois anos no posto. Em 1990, foi eleito deputado federal pelo estado homônimo e ocupa o cargo há sete mandatos.

Aos 22 anos, Bolsonaro graduou-se na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Uma década depois, envolveu-se em episódios que acarretaram dois procedimentos disciplinares e 15 dias em prisão. Esses incidentes o levaram a passar para a reserva em 1988.

Iniciada a vida política, o capitão da reserva apresentou como principais bandeiras a defesa da "família tradicional", a soberania nacional, o direito à propriedade e o direito de os cidadãos se armarem.

Esse discurso, apontado como radical e autoritário por muitos, fragmentou a sociedade brasileira, na qual Bolsonaro transita entre a adoração e o repúdio.

No dia 6 de setembro, o candidato do PSL foi vítima de uma facada enquanto era carregado pelos apoiadores durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), e ficou internado por mais de três semanas.

Os médicos desaconselharam Bolsonaro a participar de debates e atos em lugares públicos nos primeiros dias de recuperação. A campanha, que já explorava as redes sociais devido ao tempo inexpressivo de televisão, ganhou ainda mais força após o ataque. Mesmo após receber alta médica, o candidato decidiu não comparecer aos embates com Haddad.

A falta de conhecimentos sobre economia - que o próprio candidato admite, mostrando plena confiança no economista Paulo Guedes para o tema - e as propostas de nomear militares para ministérios, eliminar a "ideologia de gênero" das escolas, ensinar "a verdade" sobre o golpe militar de 1964 e retirar o país do Acordo de Paris sobre a mudança climática renderam uma infinidade de críticas.

Por outro lado, em meio às eleições mais polarizadas desde que o Brasil retomou a democracia, muitos eleitores veem em Bolsonaro o único caminho contra a corrupção após os escândalos que levaram o país a uma dura crise econômica e que resultaram na prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Outros foram atraídos pelo discurso bélico de Bolsonaro, um admirador confesso de Donald Trump e defensor da flexibilização do porte de armas, da redução da maioridade penal e da concessão de imunidade a policiais que matem em serviço.

Apesar das controvérsias, Bolsonaro se apoia sobretudo na confiança que tem em si mesmo e em seu principal lema: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

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