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Sudaneses vão às ruas do país pedir renúncia de Omar al Bashir

28/12/2018 15h04

Cartum, 28 dez (EFE).- As manifestações que pedem a renúncia do presidente do Sudão, Omar al Bashir, tomaram nesta sexta-feira vários bairros da capital Cartum e outras cidades do país.

Os opositores se reuniram em frente às mesquitas de Cartum após a tradicional oração muçulmana das sexta-feiras, mas os protestos foram, em muitos casos, reprimidos pela Polícia do Sudão.

As manifestações foram batizadas como "sexta-feira da ira" pelos opositores, que gritavam palavras de ordem contra Al Bashir.

No bairro de Mansheya, no leste de Cartum, os manifestantes cantavam que só a revolução levaria o movimento à vitória, mas policiais vestidos de civis intervieram para evitar que o protesto fechasse a Avenida 70, que conecta a região ao restante da capital. Depois, como pôde presenciar a Agência Efe, eles dispersaram o ato com gás lacrimogêneo e prenderam alguns dos participantes.

Os agentes também dispersaram com gás lacrimogêneo e prenderam vários manifestantes que participavam do protesto organizado pelo da mesquita da seita religiosa Ansar, em Um Durman, vizinha a Cartum, onde estava o principal líder da oposição, Sadeq al Mahdi.

Protestos similares foram registrados em outras cidades do país, como Al Damer e Rafaa, segundo Ismail Tijani, integrante do grupo de oposição Associação de Profissionais do Sudão.

A coalizão Forças do Consenso Nacional, que reúne vários partidos de oposição, denunciou hoje que 13 de seus líderes foram presos durante uma reunião de coordenação realizada na noite de ontem.

A reunião tinha como objetivo coordenar as ações dos grupos opositores para as manifestações de hoje, uma tentativa de derrubar Al Bashir, presidente do país desde 1989, do poder.

Os protestos começaram no último dia 19, motivados, em um primeiro momento pelo descontentamento da população com a inflação e a escassez de produtos básicos, como pão e gasolina, mas o movimento rapidamente ganhou conotação política.

Ao menos 19 pessoas morreram e 406 ficaram feridas nos confrontos entre manifestantes e policiais, segundo números divulgados ontem pelo governo do Sudão.

No entanto, organizações como a Anistia Internacional afirmam que 37 pessoas morreram nos cinco primeiros dias de protestos. EFE